SAPUCAIA DO SUL/RS

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quarta-feira, 12 de maio de 2010

Sugestão de filme


QUASE DEUSES

Quase
Deuses conta a história verdadeira e emocionante de dois homens que desafiaram as regras em sua época para iniciar uma revolução médica. Na Baltimore dos anos 40, o Dr. Alfred Blalock (Alan Rickman, de Harry Potter e o Cálice de Fogo) e o técnico de laboratório Vivien Thomas (Mos Def, de Uma Saída de Mestre) realizam cirurgias cardíacas usando uma técnica sem precedentes, atuando como equipe de uma maneira impressionante. Mas ao mesmo tempo em que travam uma corrida contra o tempo para salvarem a vida de um bebê, ambos ocupam diferentes condições sociais na cidade. Blalock é o saudável homem branco que comanda o Departamento Cirúrgico do HospitalJohns Hopkins; Thomas é negro e pobre, um habilidoso carpinteiro.
Quando Blalock e Thomas desbravam um novo campo na medicina,salvando milhares de vidas graças ao processo, as pressões sociais ameaçam minar sua parceria e por um fim à amizade que nasceu entre eles. Vencedor de três prêmios Emmy, incluindo melhor filme de TV.

ELENCO:


Alan Rickman (Alfred Blalock)

Mos Def (Vivien Thomas)

Mary Stuart Masterson (Dra. Helen Taussig)

Kyra Sedgwick (Mary Blalock)

Merritt Wever (Sra. Saxon)

Doug Olear (Michael Saxon)

David Bailey (General)







FONTE:http://www.filmesdecinema.com.br/filme-quase-deuses-4182/ Acessado em 12/05/2010

Nat Benchley (Karsh)

Gabrielle Union (Clara Thomas)

Dave Trovato (Dr. Harmel)

Jonathan Watkins (Dr. Kelvin)

Douglas Watson (Dean Hamilton)

Revolta dos Malês: insatisfação contra a escravidão e imposição religiosa


Introdução

A Revolta dos Malês foi um movimento que ocorreu na cidade de
Salvador (província da Bahia) entre os dias 25 e 27 de janeiro de 1835. Os principais personagens desta revolta foram os negros islâmicos que exerciam atividades livres, conhecidos como negros de ganho (alfaiates, pequenos comerciantes, artesãos e carpinteiros). Apesar de livres, sofriam muita discriminação por serem negros e seguidores do islamismo. Em função destas condições, encontravam muitas dificuldades para ascender socialmente.

Causas e objetivos da revolta

Os revoltosos, cerca de 1500, estavam muito insatisfeitos com a escravidão africana, a imposição do catolicismo e com a preconceito contra os negros. Portanto, tinham como objetivo principal à libertação dos escravos. Queriam também acabar com o catolicismo (religião imposta aos africanos desde o momento em que chegavam ao Brasil), o confisco dos bens dos brancos e mulatos e a implantação de uma república islâmica.

Desenvolvimento da revolta

De acordo com o plano, os revoltosos sairiam do bairro de Vitória (Salvador) e se reuniriam com outros malês vindos de outras regiões da cidade. Invadiriam os engenhos de açúcar e libertariam os escravos. Arrecadaram dinheiro e compraram armas para os combates. O plano do movimento foi todo escrito em árabe.

Fim da revolta

Uma mulher contou o plano da revolta para um Juiz de Paz de Salvador. Os soldados das forças oficiais conseguiram reprimir a revolta. Bem preparados e armados, os soldados cercaram os revoltosos na região da Água dos Meninos. Violentos combates aconteceram. No conflito morreram sete soldados e setenta revoltosos. Cerca de 200 integrantes da revolta foram presos pelas forças oficiais. Todos foram julgados pelos tribunais. Os líderes foram condenados a pena de morte. Os outros revoltosos foram condenados a trabalhos forçados, açoites e degredo (enviados para a
África).

O governo local, para evitar outras revoltas do tipo, decretou leis proibindo a circulação de muçulmanos no período da noite bem como a prática de suas cerimônias religiosas.

Curiosidade:

- O termo “malê” é de origem africana (ioruba) e significa “o muçulmano”.


FONTE:http://www.suapesquisa.com/historiadobrasil/revolta_dos_males.htm ACESSADO EM 12/05/2010

Navegando na internet encontrei este trabalho maravilhoso e resolvi compartilhar com vocês.
O título do trabalho é:

Contribuição dos povos africanos para o conhecimento científico e tecnológico universal

O site é:
http://www.smec.salvador.ba.gov.br/documentos/contribuicao-povos-africanos.pdf

MÃE ÁFRICA E CIVILIZAÇÃO

Na versão corrente da história da filosofia, da ciência e da civilização ocidental, elas brotam subitamente na Grécia antiga, como se não tivessem raízes anteriores no Egito, cujas pirâmides são frutos da construção, ao longo de vários milênios, de um profundo e desenvolvido conhecimento humano. Os hieróglifos egípcios e seus antecedentes constituem o primeiro sistema de escrita, e o calendário do Egito antigo era mais exato do que o moderno. O sistema dos mistérios continha os principais elementos da ética e arrazoados sobre a vida em sociedade. Os egípcios manipulavam uma adiantada matemática abstrata desde treze séculos antes de Euclides: identificavam o valor de pi com uma exatidão sem precedentes; calculavam ângulos à precisão de 0,07º; desenvolviam sofisticadas técnicas e teoremas na matemática, geometria e engenharia.
Hipócrates, o médico grego, é tido como fundador da medicina, quando dois milênios e meio antes os egípcios Atótis, Imhotep e seus sucessores desenvolviam os fundamentos de uma medicina objetiva e cientifica. Datada de 2.600 a.C., o papiro Smith, contém capítulos sobre doenças intestinais, hemintiase, oftalmologia, dermatologia, ginecologia, obstetria, diagnóstico de gravidez, odontologia, e o tratamento cirúrgico de abscessos, tumores, fraturas e queimaduras. Esses egípcios iniciavam o conhecimento da farmacologia, patologia e anatomia, das técnicas de assepsia, hemostasia por cauterização, suturas, antissepsia com sais minerais, e vários outros tratamentos e curas.
Não podemos expor aqui os conteúdos do conhecimento e os avanços tecnológicos alcançados pela civilização egípcia. Cumpre registrar a tentativa de seu aniquilamento nos anais de uma História vista e projetada através de uma lente que apresenta o “milagre grego” como início prístino do desenvolvimento do conhecimento.
Outra forma de negação do legado africano é a insistência em caracterizar a civilização egípcia como realização de outros povos, invasores do norte, ou ainda a persistente negação da identidade africana e negra dos egípcios. A obra de Cheikh Anta Diop, referência básica do resgate desse legado civilizatório, restabelece essas verdades por meio de rigorosa pesquisa cientifica.

O desenvolvimento tecnológico africano

Tais conquistas não se restringem apenas ao Egito. As tecnologias de mineração e metalurgia, a agricultura e a criação de gado, as ciências, a medicina, a matemática, a engenharia, a astronomia, enfim, todo um cabedal de reflexão e conhecimento caracterizava o desenvolvimento dos estados africanos. Em 1879, um cirurgião inglês visitava a região do atual país de Uganda, e registrou uma cesariana feita por médicos do povo banyoro, demonstrando profundo conhecimento dos concertos e técnicas de assepsia, anestesia, hemostasia, cauterização, e outros aspectos da medicina. Praticava‑se, a remoção de cataratas oculares através de cirurgias, e tumores cerebrais eram operados no Egito, há mais de quatro milênios.
A astronomia é um destaque do saber africano. No Quênia, ao lado do Lago Turkana, os restos de um observatório astronômico semelhante a Stonehenge, na Inglaterra. Um sistema de calendário complexo e preciso foi desenvolvido até o primeiro milênio a.C. na África oriental, com base nos cálculos astronômicos. Os dogon, que viveram nas terras do antigo império de Mali, perto da capital universitário de Timbuktu, detém uma concepção moderna do universo e com conceito extremamente complexo da astronomia. Desde há seis séculos, eles já conheciam o sistema solar, a Via Láctea com sua estrutura espiral, as luas de Júpiter, e os anéis de Saturno.
Sabiam da natureza deserta e infecunda da lua, e muito antes que o ocidente conseguisse observá-lo com a ajuda de sofisticados aparelhos, conheciam o pequenino satélite da estrela Sírio B, invisível ao olho nu. Denominavam‑no PoTolo, e desenhavam, com exata precisão, a sua órbita elítica em torno de Sírio. Projetaram corretamente a sua trajetória até o ano 1990, em desenhos que conferem precisamente com o curso projetado pela astronomia moderna.
No campo da metalurgia, há vários exemplos como o dos haya, povo de fala banta habitante de uma região da Tanzânia perto do lago Vitória. Há dois mil anos, produziam aço em fornos que atingiam temperaturas bem mais altas do que fossem capazes os fornos europeus até o século XIX. Com base na tradição oral, a antiga tecnologia de fundição foi reproduzida fisicamente, confirmando sua eficácia.
Monomatapa, em Zimbábue, é outro exemplo da tecnologia aplicada na África antiga. Capital de um império que durou trezentos anos, sua construção significa uma verdadeira façanha de engenharia, encerrando uma cidade murada do dez mil habitantes. Estudiosos atribuíram sua construção a povos exógenos à África, e até a extraterrestres. Entretanto, o esforço de negar à África a sua autoria foi em vão, e este se agrega a outros incontáveis exemplos do
desenvolvimento tecnológico na África tradicional.


Elisa Larkin Nascimento
*Doutora em psicologia pela USP e Mestre em Direito e em Ciências Sociais pela Universidade do Estado de Nova Iorque. Co‑fundadora do IPEAFRO (Instituto de Pesquisas e Estudos Afro‑Brasileiros).
Coordenou o Setor de Ensino do Programa de Estudos e Debates dos Povos Africanos e Afro‑Americanos da UERJ.

FONTE:http://afrobrasileira.multiply.com/journal/item/8 ACESSADO EM 12/05/2010

13 de maio: Comemorar o que?

O Brasil, ultimo país a abolir a escravidão nas Américas, aquele que explorou aproximadamente 4 dos 10 milhões de africanos que foram trazidos para exercer trabalho escravo desse lado do Atlântico, possui hoje o maior número de população negra fora do continente africano.

Estamos aqui para falar das negros como sujeitos políticos no período de escravidão. Todo mundo sabe que no Brasil existiu mais de três séculos de exploração, violência e desumanização dos não brancos pela colonização européia, mas o que a história não conta é que os negros também eram agentes frente às formas de opressão, que não eram "coisa", e sim "ser" diante do sistema escravocrata.

Antes da chegada do 13 de maio, a população negra organizou diferentes movimentos de resistência, através da formação dos quilombos, das irmandades, dos trabalhos urbanos, rebeliões nas senzalas, além das diversas revoltas: Malês, Balaiada, Sabinada, entre outras, e foram protagonistas da primeira tentativa de independência no país, através da formação do Quilombo de Palmares, este que sobreviveu mais de 100 anos como um Estado organizado e independente, derrotou por diversas vezes o exército colonial, até que, depois de diversas tentativas, foi invadido e vencido covardemente em 1695 pelo exército de Domingos Jorge Velho.

Vale lembrar que as mulheres negras tiveram papel fundamental nesses movimentos de resistência negra, exercendo papel de líderes, estrategistas, guerreiras, informantes e organizaram as alternativas criadas pelos negros frente ao Estado colonial.

A população negra dinamizou a história do Brasil, não aceitando a condição de escravizada, estabeleceu contra-movimentos e foi conquistando aos poucos sua liberdade, seja através de fugas, ou através da compra de cartas de alforria, e no 13 de maio de 1888, quando a Princesa Isabel assina a leia Áurea, apenas 5% da população negra ainda exercia trabalho escravo. No entanto, é dado o ônus pelo fim da escravidão a princesa boazinha que "libertou os negros", e nada se fala da luta dos negros pela sua liberdade. A lei áurea foi uma estratégia para desmobilizar a população negra que, a exemplo do Haiti, em algum momento, através das explosões constantes de rebeliões, tomaria o Estado brasileiro. Além disso, o processo de industrialização no país exigia a passagem do trabalho escravo ao trabalho livre, só assim o empregador poderia comprar a força de trabalho de acordo com as suas necessidades, e quando contratada, custaria os meios de subsistência do trabalhador.

O que aconteceu a partir de 14 de maio de 1888? A população negra não foi indenizada pelos três séculos e meio de escravidão, as senzalas sobem para os morros, onde hoje se localizam as favelas. A partir de então a imigração européia é incentivada para o Brasil, a fim de ocupar os postos de trabalho assalariado e embranquecer o país, havia até quem acreditasse que em 100 anos não haveriam mais negros no Brasil, e olha nós aqui. Mesmo reconhecendo que estes novos imigrantes foram explorados na venda da sua força de trabalho, eles estavam em condições favoráveis em relação à população negra, através das políticas de doação de terras e moradias que os eram direcionadas, além de serem priorizados nos postos de trabalho.

Por isso hoje, mesmo a lei áurea tendo marcado "oficialmente" a passagem do negro da condição de escravo a cidadã(o), o que não garantiu nenhum direito da cidadania brasileira a esta parcela da população, que até os dias de hoje encontra-se em condições extremamente desiguais em relação a população branca, o movimento negro no Brasil não comemora o dia 13 de maio, mas tornou essa data o DIA NACIONAL DE DENÚNCIA CONTRA O RACISMO, e comemora o dia 20 DE NOVEMBRO COMO DIA NACIONAL DA CONSCIÊNCIA NEGRA, dia em que morreu Zumbi dos Palmares, mais um dia de luta para a luta de todos os dias.

Hoje, 122 anos após a abolição inacabada, não temos o que comemorar. Queremos nossas carteiras de trabalho assinadas, queremos ações afirmativas nas universidades, queremos punições contra os crimes de racismo, e colocamos o Estado brasileiro no banco dos réus. - Cotas já!

Jaqueline Lima Santos, é pós graduanda em Antropologia na Unesp, é militante do MNU-SP.

FONTE: http://www.geledes.org.br/noticias-direitos-humanos/13-de-maio-comemorar-o-que.html

Como não falar em diversidade?

SCHWARCZ, Lilia Moritz. Nem preto, nem branco, muito pelo contrário: cor e raça na intimidade. In: NOVAIS, Fernando A. (coord.). História da vida privada no Brasil: contrastes da intimidade contemporânea (volume 4). São Paulo: Cia das Letras, 1998. p. 173-243.



domingo, 9 de maio de 2010

Pele encarquilhada carapinha branca

Gandôla de renda caindo na anca

Embalando o berço do filho do sinhô

Que há pouco tempo a sinhá ganhou

Era assim que mãe preta fazia

Criava todo o branco com muita alegria

Porém lá na sanzala o seu pretinho apanhava

Mãe preta mais uma lágrima enxugava

Mãe preta, mãe preta

Enquanto a chibata batia no seu amor

Mãe preta embalava o filho branco do sinhô



Duo Ouro Negro


Poema de Matheus Nunes (Caco Velho)


Fonte:http://quioca.multiply.com/journal/item/73/73

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Lindo Projeto!

Pessoal,
Bacana a iniciativa!. Faça sua ação de amor. Faz muito bem!!!

Deixe o seu carinho.
Recebi esse projeto e achei muito sublime e humano da parte de quem o
criou...
Então se tiveres um tempinho, doe um pouquinho de sua arte de versar algumas palavras
a esses irmãos especiais...

O Hospital Mário Penna em Belo Horizonte que cuida de doentes de câncer,
lançou um projeto sensacional que se chama "DOE PALAVRAS".
Fácil, rápido e todos podem doar um pouquinho.
Você acessa o site http://www.doepalavras.com.br/ , escreve uma mensagem
de otimismo, curta (como twitter) e sua mensagem aparece no telão para os
pacientes que estão fazendo o tratamento.
Pessoal, é muito linda a reação de esperança dos pacientes. Participem, sempre que te sobrar um tempinho....as mensagens são em tempo real diariamente num telão do hospital...

sábado, 1 de maio de 2010

PROVÉRBIOS ANGOLANOS


KANAMA OBÁ!

Kanama obá, katako kabe!
São as pernas
(andando) que dão, as nádegas (por apenas ficarem sentadas) não dão!
> O mesmo que "é andando que se consegue" ou "barco parado não ganha frete"!

Kanama obá, katako kabe!

Ú UOTELELA SANJI LI UILO UÊ

Nas comunidades rurais de Angola, onde os aldeões têm sempre animais de pequeno porte (galinhas, cabras, ovelhas, porcos) para brindarem aos seus visitantes (relevantes) é habitual o anfitrião mandar toda a galinha (cozida) à mesa do(s) visitante(s), aguardando, porém, pelo que restar do repasto.

A leitura do adágio em epigrafe é: "quem brinda ao visitante uma galinha (ou outro animal) também tem vontade de comer carne".

> É preciso não abusar da hospitalidade, tão pouco da bondade.

Ú UOTELELA SANJI LI UILO UÊ

Sabedoraia ambundu

KALUMBUNGU LIEBUÉ-LIEBUÉ?

É outra das adivinhas, carregadas de ensinamentos orais, que só se aprendem no Jango, com os mais velhos da aldeia.

A pergunta KALUMBUNGU LIEBUÉ-LIEBUÉ responde-se com:
Uenda dikanga dimeneke!
O mesmo que:
Quem vai distante tem de madrugar!

Sabedoria ambundu


QUER MAIS? ACESSE O BLOG http://canhanga.blogspot.com/

sexta-feira, 30 de abril de 2010


Dizem que é verídico!
Uma mulher branca, de aproximadamente 50 anos, chegou ao seu lugar na classe econômica e viu que estava ao lado de um passageiro negro.Visivelmente perturbada, chamou a comissária de bordo.
-Qual o problema, senhora?, pergunta uma comissária..
-Não está vendo?' - respondeu à senhora - vocês me colocaram ao lado de um negro.
Não posso ficar aqui. Você precisa me dar outra cadeira
-Por favor, acalme-se' - disse a aeromoça - infelizmente, todos os lugares estão ocupados. Porém, vou ver se ainda temos algum disponível.
A comissária se afasta e volta alguns minutos depois.
-Senhora, como eu disse, não há nenhum outro lugar livre na classeeconômica.Falei com o comandante e ele confirmou que não temos mais nenhum lugar mesmo na classe econômica. Temos apenas um lugar na primeira classe.
E antes que a mulher fizesse algum comentário, a comissária continua:
-Veja, é incomum que a nossa companhia permita a um passageiro da classe econômica se assentar na primeira classe. Porém, tendo em vista as circunstâncias, o comandante pensa que seria escandaloso obrigar um passageiro a viajar ao lado de uma pessoa desagradável.
E, dirigindo-se ao senhor negro, a comissária prosseguiu:
-Portanto senhor, caso queira, por favor, pegue a sua bagagem de mão, pois reservamos para o senhor um lugar na primeira classe...
E todos os passageiros próximos, que, estupefatos assistiam à cena, começaram a aplaudir, alguns de pé.


'O que me preocupa
não é o grito dos maus.
É o silêncio dos bons... '

Simplesmente Fantástico , Parabéns a empresa!

quinta-feira, 29 de abril de 2010


"É preciso entender que a desigualdade no Brasil tem cor, nome e história. Esse não é um problema dos negros no Brasil, mas sim um problema do Brasil, que é de negros, brancos e outros mais".

DICAS:

A cultura africana oferece elementos relacionados a todas as áreas do conhecimento. Se a escola não inclui esses conteúdos no planejamento, cada professor pode colocar um pouco de África em seu plano de ensino:

Língua Portuguesa:

- Para mostrar a influência dos falares africanos no Brasil, você pode usar as palavras de origem banta já incorporadas ao nosso vocabulário.

- Leve para sala de aula lendas africanas e histórias que tratem de diversidade.

- Use livros como Menina Bonita do Laço de Fita, de Ana Maria Machado, O Pássaro-da-Chuva, de Kersti Chaplet, e o gibi Zumbi dos Palmares (produzido em 2001 pela Editora Lake é distribuído gratuitamente) para atividades de leitura e escrita.

- Familiares dos alunos afro-descendentes podem ser convidados para contar histórias de sua vida, informações que serão transformadas em texto.

Artes:

- Podem ser trabalhados conceitos de arte abstrata e geometrismo, danças, mitos e adereços e máscaras, relacionando essas produções às manifestações artísticas do continente europeu.

O desafio é não resvalar no preconceito nem cair no encantamento do exótico.

Educação Física:

- Usar o iitop, o mbube-mbube (ou o tigre e o impala) e a mamba, e jogos como o yote e a mancala. Iniciar contando a história do jogo e os valores da cultura africana presentes em cada um.

Língua Estrangeira:

- Mesmo quando o idioma a ser aprendido é o inglês ou o espanhol, é possível inserir a cultura africana e afro-descendente.Uma boa idéia é levar para suas turmas letras de músicas do afro-descendente jamaicano Bob Marley e de outros cantores negros e textos em inglês sobre a vida de lideranças como os americanos Malcom X e Martin Luther King.

Ciências:

- Mencionar a evolução das espécies, esclarecendo que biologicamente todos os seres humanos são parecidos e que as pequenas diferenças físicas não interferem na capacidade intelectual.

História:

- É fundamental fazer a comparação com o modo de vida do negro no nosso país, na época da escravidão, nos quilombos e nos dias de hoje.

Atualidade:

- Miséria, epidemias e guerras civis existem hoje nos diversos países da África.Mas também estão presentes em outros lugares. Usando notícias de jornal e livros, dicutir com as turmas as guerras civis em Angola e em Ruanda, a fome e a epidemia de Aids.

Geografia:

- Localize em mapas os diversos povos que vieram para o Brasil e as riquezas de cada região, principalmente as minas de ouro e diamantes, para a turma entender os motivos da exploração.

- Ao falar sobre os diversos povos, é possível destacar as contribuições de cada um para a economia do Brasil Colônia.

Educação Infantil:

- Pesquisa em jornais e revistas das palavras: Trabalho, escravo, Brasil, Portugal e África.
- Identificação de palavras pesquisadas através de caça-palavras
- Leitura do texto “Zumbi pensava diferente”
- Observação do mapa mundi para localização do Brasil, África, Portugal.
- Decomposição da palavra PALMARES para formação de novas palavras.
- Roda de conserva enfocando a diferença entre o dia 13 de maio e o dia 20 de novembro
- Tentativa de escrita de palavras
- Registro de numerais comparando quantidades
- Exploração do calendário mensal
- Exploração do calendário anual com observação de datas que marcam a história de negro
- Construção de um glossário com palavra de origem africana
- Rodas de conversa enfocando a irmandade dos homens, que todos somos iguais.
- Exposição de ervas presentes principalmente na cultura afro
- Contagem de número de letras das palavras
- Localização identificando distâncias: Perto longe a partir da fala do narrador ao afirmar que os negros cativos vinham de muito longe.
- Pesquisa de gravuras ou fotos que demonstrem atos fraternos entre brancos e negros.
- Audição da música “O conto das três Raças” (Clara Nunes) entre outras.
- Exploração de sons afros: tambor, atabaque, berimbau.
- Ilustração da História Tempo de Escravidão (através de pintura com guache)
- Confecção de fantoches com perfil afro;
- Construção de retrato étnico da turma: produção de mural com fotos e frases que traduzem as características étnicas e culturais das crianças;
- Formação de painel coletivo com personalidades negras que alcançaram a fama;
- Construção de maquete de um quilombo;
- Confecção de chocalhos, atabaque e berimbau.

Literatura: Sugerimos as histórias: O ratinho branco e o grilo sem Asas; Menina bonita do laço de fita e a lenda Negrinho do Pastoreio.

"A prática do racismo constitui crime inafiançável e imprescritível, sujeito à pena de reclusão, nos termos da lei".

África: a diversidade num continente







O continente africano é amplamente conhecido pelas suas belezas naturais, principalmente quando se refere à grandiosa vida selvagem. Porém, o que encontramos de imenso neste continente é uma enorme diversidade física e sócio-econômica, pois existe neste espaço desde extensos vales férteis, aonde a vida parece não ter fim, até desertos gigantes, como é o caso do Saara, o maior do mundo. O contraste da pobreza e riqueza também é muito visível por toda sua extensão continental, sendo caracterizado principalmente pelas péssimas condições de vida em muitos países. O termo “berço da humanidade” é dado em razão da África abrigar uma das civilizações mais antigas e intrigantes do globo, os egípcios, que formaram um poderoso “império” a 4 mil anos atrás. Portanto, toda essa riqueza cultural e natural existente no continente, torna a África um espaço muito particular.
Em conseqüência a esta diversidade, não é tarefa fácil dividir a África por regiões devido a sua heterogenidade ao longo do continente. Porém, pode-se definir duas formas básicas de classificação regional: as questões físicas (localização geográfica) e questões humanas (cultura/ocupação)


África: cinco regiões num continente
Ao visualizar um mapa da África, pode-se ver que dividir o mesmo por regiões a partir da sua localização espacial nos sentidos Norte, Sul, Leste e Oeste é bem possível. Dessa forma, classifica-se o continente em cinco regiões distintas quanto a sua posição geográfica: Norte da África, Oeste da África, África Central, Leste da África e Sul da África.

Norte da África: como o próprio nome já diz, é a área situada ao norte do continente e que vem a ser banhado pelo Mar Mediterrâneo, em sua maioria, fazendo parte desta região cinco países. Também não se pode esquecer que ao sul desta região se encontra o deserto do Saara.

Oeste da África: é uma região muito confusa do ponto de vista político. São quinze nações que dividem um espaço caracterizado por áreas desérticas (Saara, ao norte) e florestas tropicais. Em sua economia local, a exploração de petróleo destaca-se com uma atividade bem atraente para os países.

África Central: caracterizada pelos inúmeros conflitos da década de 90 que marcaram profundamente a região, a África Central ficou conhecida no mundo pelos conflitos no Zaire que o transformaram em República Democrática do Congo. Oito países fazem parte desta região, destacada por grandes florestas tropicais em razão de estar na latitude 0 do globo.

Leste da África: também conhecida como “Chifre da África”, por sua forma física do extremo leste africano, é uma área bem diversificada por ter países bem estruturados e urbanizados, como é o caso do Quênia, e em contraponto a isto, existe à Somália e Etiópia, nações mergulhadas em problemas gerados pelas suas guerras civis. Nesta região encontram-se dez países bem distintos, tantos nos aspectos físicos como humanos. É na divisa entre Uganda, Tanzânia e Quênia que existe o lago Vitória, que é considerado a nascente do rio Nilo.



Sul da África: o extremo sul africano é representado pelas diferenças existente ente os onze países no campo sócio-econômico, principalmente, pois o contraste entre a África do Sul, nação bem desenvolvida, se comparada aos outros países africanos, em relação aos demais é visivelmente percebido. Este país exerce um poder centralizador nesta região, onde a economia é seu ponto forte. Observa-se também uma diversidade natural neste espaço, em razão de possuir grandes vales férteis e vastos desertos como o Kalahari, sendo no delta do Okavango (Botsuana) acontece uma das maiores e mais impressionantes migrações do mundo, a dos gnus.


A dispersão dos macacos (conto popular de Moçambique)



Antigamente, os macacos viviam num único grupo. Moravam num deserto onde não havia alimentos. Meteram-se, então, aos campos dos homens, para roubar comida; mas os donos guardaram-na. Vendo isso, os macacos combinaram o seguinte: "Tomemos uma macaca, cortemos-lhe o rabo, transformemo-la, façamos dela uma mulher para que casem-se com ela, tenham uma roça e nós aí comemos".

Agarraram numa macaca, cortaram-lhe o rabo e fizeram dela uma mulher. Um homem casou-se com ela e as pessoas abriram-lhe uma roça muito grande. Depois do marido preparar a terra, homem e mulher quiseram semeá-la, mas ela afirmou que podia fazer esse trabalho sozinha. Quando a macaca foi semear, entoou esta canção: Macacos, macacos, Mueé, mueé! Vinde semear o milho

Eles ouviram-na. Semearam o milho e comeram o que sobrou. Mal se criaram as maçarocas (espigas), os macacos chegaram de novo para as comer, mas o marido afugentou-os com a espingarda.

Chegou o dia da colheita. Marido e mulher levaram o milho para casa. Os macacos ficaram furiosos e resolveram colar novamente o rabo à macaca. Levaram o rabo e iam cantando assim: Andemos depressa, entreguemos o rabo à dona ...

Ao ouvirem esta canção, as pessoas ficaram surpreendidas. Os macacos chegaram a cantar e, encontrando a mulher deitada no chão, puseram-lhe o rabo, e logo ela se transformou em macaca, como dantes. A aldeia estava cheia de macacos, mas, quando os homens pegaram nos arcos e nas espingardas, os macacos dispersaram, dois para um lado, três para o outro, e nunca mais se reuniram. Por isso há macacos em toda a parte.

(in Contos Moçambicanos - INLD – 1979)

Contos africanos


A Gazela e o Caracol

Uma gazela encontrou um caracol e disse-lhe:
__ Tu, caracol, és incapaz de correr, só te arrastas pelo chão.
O caracol respondeu:
__ Vem cá no Domingo e verás!
O caracol arranjou cem papéis e em cada folha escreveu: «Quando vier a gazela e disser "caracol", tu respondes com estas palavras: "Eu sou o caracol"». Dividiu os papéis pelos seus amigos caracóis dizendo-lhes:
__ Leiam estes papéis para que saibam o que fazer quando a gazela vier.
No Domingo a gazela chegou à povoação e encontrou o caracol. Entretanto, este pedira aos seus amigos que se escondessem em todos os caminhos por onde ela passasse, e eles assim fizeram.
Quando a gazela chegou, disse:
__ Vamos correr, tu e eu, e tu vais ficar para trás!
O caracol meteu-se num arbusto, deixando a gazela correr.
Enquanto esta corria ia chamando:
__ Caracol!
E havia sempre um caracol que respondia:
__ Eu sou o caracol.
Mas nunca era o mesmo por causa das folhas de papel que foram distribuídas.
A gazela, por fim, acabou por se deitar, esgotada, morrendo com falta de ar. O caracol venceu, devido à esperteza de ter escrito cem papéis.

Comentário do narrador : «Como tu sabes escrever e nós não, nós cansamo-nos mas tu não. Nós nada sabemos!». Eduardo Medeiros (org.). Contos populares moçambicanos, 1997


Duas Mulheres

Havia duas mulheres amigas, uma que podia ter filhos __ e tinha muitos __ e a outra não.
Um dia, a mulher estéril foi a casa da amiga e convidou-a a visitá-la, dizendo:
__ Amiga, tenho muitas coisas novas em casa, venha vê-las!
__ Está bem __ concordou a outra.
De manhã cedo, a mulher que tinha muitos filhos foi visitar a amiga. Ao chegar a casa desta, chamou-a:
__ Amiga, minha amiga!
Trazia consigo um pano que a mulher estéril aceitou e guardou.
As duas amigas ficaram a conversar, tomando um chá que a dona da casa tinha preparado para as duas. Ao acabarem o chá, a dona da casa quis, então, mostrar à amiga as coisas que tinha comprado. Passaram para a sala e a mulher estéril abriu uma mala mostrando à amiga roupa, brincos, prata e outras coisas de valor.
No final da visita, a mulher que tinha muitos filhos agradeceu, dizendo:
__ Um dia há-de ir a minha casa ver a mala que eu arranjei.
E, um certo dia, a mulher que não tinha filhos, foi a casa da amiga. Mal a viram, os filhos desta gritaram:
__ A sua amiga está aqui!
Agradeceram a peneira que ela trazia na cabeça e guardaram-na. Começaram, então, a preparar o chá.
A mãe das crianças chamava-as uma a uma:
__ Fátima!
__ Mamã?
__ Põe o chá ao lume!
__ Mariamo!
__ Sim?
__ Vai partir lenha!
__ Anja!
__ Sim?
__ Vai ao poço
__ Muacisse!
__ Mamã?
__ Vai buscar açúcar!
__ Muhamede!
__ Sim?
__ Traz um copo!
__ Mariamo!
__ Vamos lá, despacha-te com o chá!
Assim que o chá ficou pronto, tomaram-no e conversaram todos um pouco.
Quando a amiga se ia embora, a mulher que tinha filhos disse:
__ Minha amiga, eu chamei-a para ver a mala que arranjei, mas a minha mala não tem roupa nem brincos! A mala que lhe queria mostrar são os meus filhos!
A mulher que não podia ter filhos ficou muito triste e, antes de chegar a casa, sentiu-se muito mal, com dores de cabeça e acabou por morrer.

Comentário do narrador: coisa não é coisa, coisa é pessoa!



Os Segredos da Nossa Casa

Certo dia, uma mulher estava na cozinha e, ao atiçar a fogueira, deixou cair cinza em cima do seu cão.
O cão queixou-se:
__ A senhora, por favor, não me queime!
Ela ficou muito espantada: um cão a falar! Até parecia mentira...
Assustada, resolveu bater-lhe com o pau com que mexia a comida. Mas o pau também falou:
__ O cão não me fez mal. Não quero bater-lhe!
A senhora já não sabia o que fazer e resolveu contar às vizinhas o que se tinha passado com o cão e o pau.
Mas, quando ia sair de casa a porta, com um ar zangado, avisou-a:
__ Não saias daqui e pensa no que aconteceu. Os segredos da nossa casa não devem ser espalhados pelos vizinhos.
A senhora percebeu o conselho da porta. Pensou que tudo começara porque tratara mal o seu cão. Então, pediu-lhe desculpa e repartiu o almoço com ele.

Comentário : é fundamental sabermos conviver uns com os outros, assegurar o respeito mútuo, embora às vezes seja difícil...

"Eu conto, tu contas, ele conta... Estórias africanas", org. de Aldónio Gomes, 1999


Todos dependem da boca...


Certo dia, a boca, com ar vaidoso, perguntou:
__Embora o corpo seja um só, qual é o órgão mais importante?
Os olhos responderam:
__ O órgão mais importante somos nós: observamos o que se passa e vemos as coisas.
__ Somos nós, porque ouvimos __ disseram os ouvidos.
__ Estão enganados. Nós é que somos mais importantes porque agarramos as coisas, disseram as mãos.
Mas o coração também tomou a palavra:
__ Então e eu? Eu é que sou importante: faço funcionar todo o corpo!
__ E eu trago em mim os alimentos! __ interveio a barriga.
__ Olha! Importante é aguentar todo o corpo como nós, as pernas, fazemos.
Estavam nisto quando a mulher trouxe a massa, chamando-os para comer. Então os olhos viram a massa, o coração emocionou-se, a barriga esperou ficar farta, os ouvidos escutavam, as mãos podiam tirar bocados, as pernas andaram... mas a boca recusou comer. E continuou a recusar.
Por isso, todos os outros órgãos começaram a ficar sem forças...
Então a boca voltou a perguntar:
__ Afinal qual é o órgão mais importante no corpo?
__ És tu boca, responderam todos em coro. Tu é o nosso rei!

Nota: todos nós somos importantes e, para viver, temos de aprender a colaborar uns com os outros...
"Eu conto, tu contas, ele conta... Estórias africanas", org. de Aldónio Gomes, 1999


Uma Idéia Tonta

Um dia a hiena recebeu convite para dois banquetes que se realizavam à mesma hora em duas povoações muito distantes uma da outra. Em qualquer festa era abatido um boi, carne que a hiena é especialmente gulosa.
__ Não há dúvida de que tenho de assistir aos dois banquetes, pois não quero desconsiderar os anfitriões. Também as oportunidades de comer carne de boi não são muitas... mas como hei de fazer, se as festas são em lugares tão distantes um do outro?
A hiena pensou, pensou... e, de repente, bateu com a mão na testa.
__ Descobri! Afinal é simples... __ disse ela, muito contente com a sua esperteza.
Saiu à pressa de casa. Assim que chegou ao local donde partiam os dois caminhos que levavam aos locais das festas, começou a andar pelo caminho que ficava do lado direito com a perna direita e pelo caminho que ficava do lado esquerdo, com a perna esquerda.
Pensava chegar deste modo a ambas as festas ao mesmo tempo. Mas começou a ficar admirada de lhe custar tanto caminhar dessa maneira. E fez tanto esforço, que se sentiu dividir em duas de alto a baixo.
Coitada, lá a levaram ao médico __ que a proibiu, desde logo, de comer carne de boi durante um mês.
É muito tonta a hiena!

"Eu conto, tu contas, ele conta... Estórias africanas", org. de Aldónio Gomes, 1999

A feiticeira ilusão

Histórias que a menina-serpente contou

Ilma Maria Canauna
Fábio Cardoso dos Santos
Tati Móes
São Paulo: Cortez, 2007

A feiticeira da Ilusão


Conversando com Ecubu, perguntamos-lhes como a Terra nasceu, e la nos contou...

-Ah, essa é uma história daquelas em que ninguém acredita porque aconteceu antes do Tempo dos Espelhos, no amanhã do novo alvorecer. Primeiro foram criados muitos mundos e não se esperava por este.

Havia três guerreiros gêmeos valentes que viviam pelo espaço formando estrelas. Um dia, eles brincavam com as estrelas quando, de repente, notaram uma meiga mulher, a Roda do Tempo, que tinha por trabalho criar mundos. Os irmãos tentaram atrair sua atenção, mas ela não os atendeu e continuou fazendo seu trabalho.

Então, os irmãos decidiram fazer um torneio e quem vencesse ficaria com ela. Para que não pairasse nenhuma dúvida sobre quem seria o vencedor do torneio, chamaram imediatamente o Vento.

O primeiro a lançar o desafio foi Quimbala, o fogo, que com seu calor transformava tudo o que por ele passava. O segundo, Decori, era a água, que com sua mansidão dava vida a tudo que tocava. E o terceiro, Tifuro, a luz, que por onde passava criava e dava vida.

Transcorria o torneio, e quem conseguiu chamar a atenção da Roda do Tempo, a criadora de mundos, casaria com ela. Mas o que os irmãos não sabiam era que Filaco, a feiticeira da ilusão, estava ouvindo tudo e ficou muito enciumada por não ter sido escolhida por nenhum deles.

Filaco planejou uma vingança. Ela esperaria o início do torneiro e, quando um dos irmãos vencesse, se disfarçaria de Roda do Tempo e o trancaria eternamente em seu coração.

Assim, que o torneio começou, Filaco disfarçou-se de nuvem para poder observar tudo sem ser reconhecida. Assim que o dia amanheceu, a criadora de mundos começou seu trabalho.

Quimbala, o fogo, pôs-se a rodopiar à sua volta criando formas inusitadas e transformando tudo o que ela criava, para tentar atrair sua atenção, mas não conseguiu.

O segundo, Decori, também rodopiou em torno dela e criou pingos de água que caíram sobre seu corpo, mas ela não se deteve mais que um segundo e continuou a trabalhar, enquanto as gotas escorriam sobre seu rosto.

Mas Tifuro esperou escurecer e levou a luz do amanhecer ao firmamento. Roda do Tempo ficou hipnotizada com aquela maravilha e com o mesmo encantamento esperou o entardecer. Tifuro criou a Lua e deu-lha de presente.

Em seguida, o Vento proclamou Tifuro vencedor, mas a feiticeira Filaco não quis apenas um irmão, e resolveu aprisionar os três.

Contudo, o Vento, que ouvia pensamentos, logo percebeu o que Filaco tinha em mente e tentou avisar os irmãos. Pegou-os num sopro arrebatador e misturou-os como três elementos principais: água, fogo e luz, que adquiriram muita resistência. Depois, correu para contar à Rodas do Tempo o que estava acontecendo, para que Filaco, em sua paixão, não os machucasse. Então, Roda do Tempo os transformou na Terra.

Filaco, em sua paixão desesperadora, suplicou ao Criador perdão pelo que tentara fazer e pediu-lhe que não a deixasse longe dos três irmãos. Comovido com tamanha dor, o Criador tranformou-a em três plantas: inhame. cará e milho.

... e assim de amor e também de paixão a África foi povoada e a vida se perpetuou...