SAPUCAIA DO SUL/RS

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quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Como ficam as cotas e o combate ao racismo?


Por Cleyton Wenceslau Borges

Não é segredo pra ninguém quão grandes proporções tomaram os temas relativos a questão racial no Brasil nos últimos anos. Assuntos como cotas, ações afirmativas, discriminação, violência contra negros e casos de racismo tomaram espaço das pautas dos movimentos sociais, parlamentos, debates acadêmicos e na grande mídia, de forma considerável.

Todos os tipos de pontos de vistas vieram à tona, favoráveis e contra, por análises jurídicas, históricas, políticas, ideológicas, estatísticas e até mesmo em temas de filmes, livros e novelas recentes. Momento peculiar dentro dos limites institucionais, foi a realização de Audiência Pública pelo Supremo Tribunal Federal, durante três dias, com grande participação social, com maior número de posições favoráveis à constitucionalidade das políticas afirmativas de cunho étnico-racial.

Leia o artigo na íntegra clicando AQUI!

Número de escolas quilombolas cresce no Brasil



O Brasil conta hoje com 1696 unidades escolares em quilombos espalhados por 24 estados brasileiros. Das escolas quilombolas atuais, 56% se concentram no Maranhão, na Bahia, em Minas Gerais, em Pernambuco e no Pará, mas com exceção de Acre, Amazonas e Rondônia, todos os Estados já possuem alguns desses estabelecimentos de ensino. O crescimento destes estabelecimentos foi permitido principalmente por duas iniciativas do governo federal: o Programa Brasil Quilombola, de 2004, e a Política Nacional de Desenvolvimento Sustentável de Povos e Comunidades Tradicionais, de 2006.
Leia a reportagem na íntegra clicando AQUI!

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Distribuição de livros

O Itaú está distribuindo gratuitamente 8 milhões de livros.
Para receber basta acessar o site http://www.lerfazcrescer.com.br/#/kit

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Educaxé: um giro pela poesia de combate ao racismo

Jaime Sodré

Landê Onawale. Brasil. Genocídio do negro na Bahia: o que a poesia tem a ver com isso?”

O que pode a minha poesia contra isso:

três jovens assassinadas lado a lado?

O que pode a minha poesia

contra esse costume brasileiro

de matar negros como moscas.

Nossos cupidos sendo brancamente mortos…
……………………………………………………….

Ouologue Yambo – Mali. Quando os dentes dos negros falam

Todos pensam que eu sou canibal
Mas bem sabem o que são as línguas
Todos vêem as minhas gengivas rubras
Mas quem as tem brancas
Vivam os tomates

Todos dizem que agora virão
Menos turistas
Mas bem sabem
Não estamos na América e de qualquer maneira
Somos todos tesos

Todos dizem que a culpa é minha e que têm medo
Mas vejam

Os meus dentes são brancos não rubros
Eu não comi ninguém

As pessoas são más e dizem que eu engulo
Os turistas assados
Ou talvez grelhados

Assados ou grelhados perguntei
Ficaram calados e olham com medo para as
Minhas gengivas

Vivam os tomates

Todos sabem que um país arável tem agricultura
Vivam os vegetais

Todos garantem que os vegetais
Não alimentam bem o agricultor
E que eu sou forte demais para um subdesenvolvido
Miserável insecto vivendo dos turistas
Abaixo os meus dentes

Todos de repente me cercaram
Prenderam
Prostaram
Aos pés da justiça

Canibal ou não canibal
Fala
Ah julgas que és muito esperto
E pões-te todo orgulhoso

Agora vamos ver o que te acontece
Qual é a tua última palavra
Pobre homem condenado
Eu gritei vivam os tomates

Os homens eram cruéis e as mulheres curiosas sabem
Havia uma no círculo que espreitava
Que com a sua voz raspante como a tampa duma panela
Gritava
Chiava
Abram-no ao meio
Estou certa de que o papá ainda está lá dentro

Como as facas estavam rombas
O que é compreensível entre vegetarianos
Como os Ocidentais
Pegaram numa lâmina Gillette
E pacientemente
Crisss
Crasss
Floccc
Abriram-me a barriga

Encontraram lá uma plantação de tomates
Irrigada por riachos de vinho de palma
Vivam os tomates

…………………………………………………..

Wole Soyinka – Nigéria. Conversa ao telefone

O preço parecia razoável, locação
Indiferente. A dona da casa jurou
Que não vivia lá. Faltava só
A confissão. ‘Minha senhora,’ avisei,
‘Detesto ir lá em vão – sou africano.’
Silêncio. Transmissão silenciosa
De boa educação pressurizada. A voz, quando veio,
Com baton, como através de
Uma boquilha dourada. Apanho estupidamente.
‘MUITO ESCURO?’… Não ouvi mal. … ‘É CLARO
OU MUIRO ESCURO?’ Botão B. Botão A. Cheiro
De hálito rançoso de conversa pública.
Cabina telefônica. Marco postal. Autocarro
De dois andares com cheiro de alcatrão. Era real!
Envergonhado
Por um silêncio mal-educado, a rendição
Avançou espantada a pedir simplificação.
Foi atenciosa, variando de ênfase –
‘É ESCURO? MUITO CLARO?’ A revelação chegou.
‘quer dizer – chocolate ou chocolate de leite?’
A sua aprovação era clínica, esmagadora na sua leve
Impersonalidade. Rapidamente, sintonizando-a,
Escolhi. ‘Sépia oeste-africana’ – e para tranqüilizar,
‘Vem no passaporte.’ Silêncio para um espectroscópico
Voo da imaginação, até que a verdade retiniu no seu sotaque
Duro no bocal. ‘O QUE É ISSO?’ Confessando
‘NÃO SEI O QUE É ISSO?’ ‘Nem por isso.
Facialmente, sou moreno, mas devia ver
O resto de mim. As palmas das minhas mãos, as plantas
Dos meus pés são de um louro peróxido. Da fricção, -
No entanto, de me sentar, o eu
Tornou-se preto – Um momento, minha senhora!’ – sentindo
O seu telefone preparando a tempestade
Aos meus ouvidos – ‘Minha senhora,’ pedi, ‘não seria melhor
Ver por si?’

Sugestão pedagógica:

Interpretar texto dos poemas

Levantar com os alunos a biografia dos três poetas citados e seus locais de origem, listando a característica destes países.

Jaime Sodré é historiador, professor universitário e religioso do candomblé

FONTE: http://mundoafro.atarde.com.br/?cat=67 Acessado em 18/10/10

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Bruna e a Galinha d'Angola

África está em nós

Sugestão de filme





Sinopse: João de Camargo (Lázaro Ramos) viveu nas senzalas em pleno século XIX. Após deixar de ser escravo ele fica deslumbrado com o mundo em transformação ao seu redor e desesperado para viver nele. O choque é tanto que faz com que João tenha alucinações, acreditando ser capaz de ver Deus. Misturando suas raízes negras com a glória da civilização judaico-cristã, João passa a acreditar que seja capaz de curar e realmente acaba curando. Ele torna-se então uma das lendas brasileiras, se popularizando como o Preto Velho.

Sugestão de Filme

O CONTADOR DE HISTORIAS - NACIONAL




Sinopse: Aos seis anos, Roberto Carlos Ramos é internado por sua mãe em uma instituição para menores carentes em Belo Horizonte, a FEBEM. Dotado de imaginação fértil, ele chega aos 13 anos analfabeto e com mais de 100 fugas no currículo, várias infrações e o diagnóstico de irrecuperável. O encontro com uma pedagoga francesa mudará, para sempre, a vida de Roberto.

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

TODO NOSSO CARINHO PARA VOCÊ PROFESSOR!

Querido Mestre,
Trago-te um recado de muita gente.
Houve gente que praticou uma boa ação,
Manda dizer-te que foi porque
Teu exemplo convenceu.
Houve alguém que venceu na vida,
E manda dizer-te que foi porque
Tuas lições permaneceram
E houve mais alguém que superou a dor,
E manda dizer-te que foi a lembrança
De tua coragem que ajudou.
Por isso que és importante...
O teu trabalho é o mais nobre,
De ti nasce a razão e o progresso.
A união e a harmonia de um povo!
E agora... Sorria!!
Esqueça o cansaço e a preocupação,
Porque há muita gente pedindo a Deus
Para que você seja muito Feliz!!!
Parabéns pelo seu dia!!!!(Autor desconhecido)


Professores" />

Os melhores Feliz dia dos professores gifs:
www.MiniRecados.com/feliz_dia_dos_professores_gifs/


quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Crônica - Ausência do Negro na Mídia Externa

Ausência do Negro na Mídia Externa

(*) Hélio Castro

O presente trabalho aborda a ausência do negro nas campanhas de mídia externa. A etnia negra, historicamente marginalizada, tem que conviver com os estereótipos, estruturados principalmente no período pós-abolição. Essas construções acabam por se transformar em barreiras simbólicas para a inclusão social do negro e valorização de sua cultura. Os referenciais pejorativos, guardados no senso comum, acabam por influenciar as escolhas nas diversas possibilidades de publicidade ao ar livre. Como instância de construção simbólica, vislumbra-se a inclusão do negro na Publicidade como uma das medidas necessárias para a eliminação dos preconceitos étnicos e a possibilidade de conquista da cidadania plena pelos negros.

Leia o artigo na íntegra clicando aqui!

AÇÕES AFIRMATIVAS E POLÍTICAS DE AFIRMAÇÃO DO NEGRO NO BRASIL

Ações afirmativas e políticas de afirmação do negro no Brasil

Carlos Vogt

I

De um modo geral, os estudos e as atitudes intelectuais e políticas voltados positivamente à questão do negro no Brasil só se desenvolvem, efetivamente, no século XX, embora tenha havido, no século XIX, toda uma literatura abolicionista, de Castro Alves a Joaquim Nabuco que, no entanto, tratou o negro como um problema homogeneizado pela escravidão, enquanto mácula.

É verdade que Nina Rodrigues, apontado como pioneiro dos estudos africanos no Brasil, vinha trabalhando sobre o tema desde o final do século XIX e que já em 1900 havia publicado no Jornal do Comércio o que viria a ser depois capítulo do livro póstumo Os africanos no Brasil, de 1933. Dois outros capítulos desse livro foram também publicados antes da morte do autor em Paris, em 1906: "As sublevações de negros no Brasil anteriores ao século XIX. Palmares", no Diário da Bahia e "Sobrevivências totêmicas: festas populares e folclore", novamente noJornal do Comércio.

LEIA ESTE ARTIGO NA INTEGRA CLICANDO AQUI!

Campanhas publicitárias da Benetton - Que tal uma análise?









OS NEGROS NAS TELENOVELAS

NOVELAS


O Brasil é um país plural, com uma população formada por várias raças e etnias. País construído por colonizadores europeus, nativos indígenas e negros africanos em sua essência. Se o índio faz parte de uma minoria de brasileiros, negros e brancos quase que empatam em número populacional. Apesar da paridade numérica, os abismos sociais entre negros e brancos continuam a ser uma grande ferida na integridade racial do Brasil.
A presença dos negros nas telenovelas brasileiras, o maior veículo de comunicação de público do país, apesar de ter avançado nos últimos anos, ainda é tímida e muitas vezes feita de uma forma negativa e presa ao estereótipo. Apesar de ser um país de grandes atores negros, que desfilaram ou desfilam pelas décadas da dramaturgia brasileira, como Grande Otelo, Ruth de Souza, Lázaro Ramos, Milton Gonçalves, Isaura Bruno, Taís Araújo, Chica Xavier, Neuza Borges, Jacira Silva, Zezé Motta, Cléa Simões, Zózimo Bulbul, Lea Garcia e tantos outros; os negros vêm sendo ignorados há décadas pelas telenovelas. Desde a primeira levada ao ar em 1963, este veículo tornou-se o condutor que moldou comportamentos, opiniões, criando ou derrubando preconceitos. A linguagem da telenovela reprimiu por muitos anos a imagem da verdadeira face do Brasil, fazendo dele um país de falsa identidade branca, negando a sua história e cultura. A televisão foi, e ainda o é (apesar de hoje em dia sofrer mais críticas e render-se às evidências da pluralidade) a maior propagandista e difusora dos conceitos do branqueamento da população brasileira, iniciada ainda no Brasil colônia.
Se hoje uma telenovela de horário nobre da poderosa TV Globo insere em suas tramas o amor entre raças, e o público, já moldado para aceitar a verdadeira identidade do país, aceita as personagens, nem sempre foi assim. Já houve tempo em que a rejeição ao amor entre um casal de cor branca e negra atingiu a total intolerância. A presença do negro na ficção da teledramaturgia era visível apenas em pequenas tramas paralelas às principais. De Mamãe Dolores (Isaura Bruno) a Xica da Silva (Taís Araújo), do Rodney de Zózimo Bulbul em “Vidas em Conflito” (1969) ao Foguinho de Lázaro Ramos em “Cobras & Lagartos” (2006), o espaço do negro nas telenovelas vem sendo conquistado com perseverança à discriminação. Um longo e árduo caminho foi percorrido pela constelação de grandes talentos negros, até que se deslumbrasse como protagonistas de algumas telenovelas.

O Branqueamento Histórico da População Brasileira

A presença negra na formação do Brasil veio através dos grupos étnicos africanos capturados em suas tribos e feitos escravos nas terras da colônia. Desde então negros, brancos e índios misturaram-se, construindo uma população miscigenada com maioria visível de negros.Leia mais clicando aqui!

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

domingo, 26 de setembro de 2010

Na África do Sul, novas escolas estão reinventando a educação


O professor de ciências sul-africano Ross Hill gesticula enquanto orienta alunos em uma aula na Escola Leap, na Cidade do Cabo, no dia 6 de agosto


Gcobani Mndini, um jovem magro e tímido de 17 anos, disse que já era um gângster quando deu início à nona série. Sua pequena gangue, que chamava a si mesmo de Tomates, roubava pessoas, brigava por garotas, se embriagava com Jack Daniels e se entorpecia com maconha.

“Eu ingressei na gangue porque queria me sentir parte de algo”, ele disse.

E é o que aconteceu quando ele se encaixou no último lugar em que poderia esperar – em um colégio particular que está reinventando a educação para os adolescentes dos bairros negros da África do Sul.

Gcobani deixou a vida de gangue e despontou como um estudante de ciência talentoso buscando ingresso nas melhores universidades do país. Um professor espiou recentemente para uma classe de alunos, estudando até tarde certa noite e perguntou: “Está tudo bem?” Gcobani sinalizou positivo com os polegares.

À medida que muitas escolas públicas da África do Sul reprovavam a geração pós-apartheid de crianças dos bairros pobres e áreas rurais, um movimento de educadores, filantropos e pais desesperados está cada vez mais buscando por alternativas.

Por uma década, bancos e fundações daqui têm patrocinado os alunos promissores do interior para frequentarem escolas de elite, frequentadas principalmente por alunos brancos. Mas agora novas escolas particulares estão surgindo para atender as crianças negras pobres e de classe operária, dando ao ainda dominante sistema público uma nova concorrência e talvez até mesmo concebendo modelos que acabarão a influenciando.

Os 500 alunos em três escolas conhecidas como Leap, representam uma abordagem. Todos os alunos, incluindo Gcobani, vêm de bairros negros. Eles estão imersos em um ambiente educacional que lembra algumas das escolas mais bem-sucedidas nos Estados Unidos.

Em outro empreendimento, líderes cívicos estão tentando reviver as escolas missionárias rurais que educaram muitos dos heróis da libertação da África do Sul, mas foram em grande parte destruídas pelas leis da época do apartheid que exigiam que as instituições seguissem as instruções de um sistema racista ou cedessem seu controle ao Estado. A escola de Nelson Mandela, a Healdtown, e o Seminário Inanda, o primeiro colégio para meninas africanas na África do Sul, fundado por missionários americanos em 1869, estão entre as primeiras reformadas.

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sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Promoção do Google - Doodle 4 Google

…Toda criança terá uma escola
…Vamos plantar mais árvores que prédios
…Os políticos serão super-heróis
E você, o que pensa sobre o futuro do Brasil?
Solte a imaginação e participe da competição Doodle4Google.

Você já reparou que em diversos eventos o Google costuma brincar com o seu logo?
Chamamos esse logo especial de "Doodle".
O Google então decidiu abrir esta brincadeira para estudantes de 6 a 15 anos e permitir que seus desenhos apareçam no lugar do logo.

Esta competição é chamada de Doodle4Goodle e mais de 300 mil alunos já participaram ao redor do mundo.

Agora chegou a sua vez!
Pela primeira vez o logo do Google será desenhado por um estudante brasileiro.

O tema da primeira edição é "O Brasil do Futuro".
Solte a criatividade e desenhe sua versão do logo do Google mostrando o que você espera do futuro do Brasil.

O seu desenho pode parar na página inicial do Google Brasil e você pode ganhar:
Uma bolsa de estudos de R$ 30 mil reais
Um computador
Uma sala Google na sua escola!
Saiba mais clicando aqui!

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Curta-metragem "Memórias da Chibata" do mesmo diretor Marcos Manhães Marins e mesma produtora. Ganhador de 4 PRÊMIOS, de melhor filme, roteiro, atriz, edição e selecionado em 19 festivais e mostras no Brasil e no exterior


História do Brasil - Revolta da Chibata

Imagens do "Almirante Negro" e da Revolta da Chibata, com trilha musical de João Bosco e Aldir Blanc "O Mestre-sala dos Mares". Apresentada a letra original, censurada pela ditadura militar no Brasil.

Revolta da Chibata


Movimento defendeu mudanças na Marinha


Reprodução

João Cândido (à dir.), líder do movimento, apelidado de Almirante Negro

Na noite de 22 de novembro de 1910, dia em que o marechal Hermes da Fonseca completava sua primeira semana como presidente da República, teve início no Rio de Janeiro, então capital do Brasil, a chamada Revolta da Chibata. Protagonizado por marinheiros da Armada brasileira, o movimento defendia, entre outras coisas, o fim dos castigos físicos aplicados aos graduados da Marinha, como a chibatada, por exemplo.

Os castigos, suspensos pela Armada logo após a
Proclamação da República, foram retomados no ano seguinte como forma de controle e punição dos marinheiros - em sua maioria, negros e pobres. Poderiam receber chibatadas aqueles que cometessem faltas graves, como, por exemplo, o desrespeito à hierarquia militar.

Os castigos físicos, porém, contrastavam com as punições aplicadas pelas marinhas de outros países a seus graduados e, principalmente, com a fase modernizadora vivida pela Armada brasileira na época. Embora a escravidão tivesse sido abolida oficialmente mais de vinte anos antes, o uso da chibata pela oficialidade branca reproduzia, de certa forma, a mesma relação estabelecida entre os escravos e seus senhores até o final do século 19.

A eclosão do movimento

Depois de ferir um oficial a bordo do navio Minas Gerais, o marinheiro Marcelino Rodrigues de Menezes foi condenado a receber 250 chibatadas como castigo. O rigor da punição, aplicada sob os olhares da tropa, provocou indignação entre os graduados da Marinha. Desde o ano anterior, quando voltaram de uma missão junto à Armada inglesa, os marinheiros vinham se articulando contra os castigos físicos, tendo, inclusive, formado o Comitê Geral da revolução, liderado por João Cândido - o "Almirante negro".

Os marinheiros logo assumiram o controle do Minas Gerais, que estava em trânsito para o Rio de Janeiro, matando quatro oficiais que seguiam a bordo, incluindo o comandante do navio. Na manhã do dia 23, já no Distrito Federal, os revoltosos, que haviam conseguido o apoio de outras embarcações da Marinha brasileira, encaminharam um manifesto ao presidente da República.

Na carta, escrita no dia anterior, os marinheiros afirmavam não poder mais suportar "a escravidão dentro da Marinha", declarando-se a favor de uma reforma no "código imoral e vergonhoso que nos rege a fim de que desapareça a chibata [...] e outros castigos semelhantes". O manifesto dava ao marechal Hermes da Fonseca o prazo de 12 horas para responder às demandas dos revoltosos.

Entretanto, o desfecho do movimento só ocorreria no dia 26, quando os marinheiros entregaram os navios, depois de o presidente da República aceitar o fim dos castigos físicos e sancionar a anistia aprovada pelo Senado no dia anterior. Já no dia 27, antes mesmo de suspender o uso das chibatas, Hermes da Fonseca assinou um decreto que permitia a exclusão de marinheiros da Armada sem a necessidade de instaurar um processo legal para tanto.

O levante da ilha das Cobras

Com a aprovação do decreto, abriu-se o caminho para a expulsão de vários marinheiros que tinham participado do levante de novembro. Assim, poucos dias depois da rendição, teve início um novo levante, dessa vez, na ilha das Cobras, no Rio de Janeiro. Ao contrário do movimento anterior, a revolta de dezembro foi duramente combatida pela Marinha, que dizimou boa parte dos revoltosos, mesmo depois da rendição.

Dos sobreviventes, a maioria foi forçada a embarcar no navio Satélite, que seguiria em direção ao Amazonas, para trabalhar na produção da borracha. Alguns deles, contudo, nem chegaram ao destino: foram fuzilados a bordo da embarcação. Os demais revoltosos foram presos em calabouços da ilha das Cobras, sendo que, em pouco mais de um dia, apenas dois dos 18 graduados presos ali sobreviveram às condições insalubres do local - entre eles, João Cândido.

O destino do Almirante negro, porém, foi melancólico e desprovido de qualquer honra ou glória. Expulso da Marinha sob acusação de estar envolvido com o levante de dezembro, foi internado poucos meses depois como louco no Hospital dos Alienados, de onde só conseguiu sair depois de quase um ano e meio, após ser absolvido das acusações que pesavam contra ele por conta do movimento de 1910.

Muito mais que uma revolta

Embora o levante que João Cândido liderou tenha entrado para a história do Brasil como uma "revolta", o movimento de 1910 pode ser considerado um episódio bem mais profundo do que isso, especialmente pelas suas reivindicações, que não se limitavam à luta pelo fim dos castigos físicos. A ocultação da carta enviada no dia 23 de abril ao presidente Hermes da Fonseca, que veio a público tempos depois, certamente contribuiu para conformar uma versão da história que retirava da Revolta da Chibata seu caráter de luta política.

O fato de o manifesto ter sido escrito no dia anterior, por exemplo, desmonta a versão segundo a qual o movimento teria eclodido de maneira espontânea, sem nenhuma espécie de organização anterior. Pelo contrário, os marinheiros há muito tempo já vinham se articulando para lutarem por mudanças no funcionamento interno da Marinha. Prova disso foi a criação do Comitê Geral da revolução.

Por outro lado, as versões que caracterizam a Revolta da Chibata como um movimento primitivo, instintivo, não se sustentam quando questionamos a razão para o afastamento dos marinheiros envolvidos no movimento de 1910. A expulsão das principais lideranças da Revolta da Chibata demonstrou que o poder dos marinheiros estava muito além do controle dos navios. Daí porque, mesmo após a rendição, o oficialato tratou de excluí-los rapidamente dos quadros da Armada.

O movimento de 1910, portanto, foi bem mais que uma simples revolta, instintiva e espontânea. A rebelião daquela noite não questionava a República nem tampouco lutava pelo retorno da monarquia, como queriam os restauradores. Seu objetivo era instituir uma nova relação de trabalho dentro da Armada e lutar pelo reconhecimento dos pobres e negros da Marinha brasileira como cidadãos livres e dotados de direitos.

Revolta da Chibata



A Revolta da Chibata foi um movimento de militares da Marinha do Brasil, planejado por cerca de dois anos e que culminou com um motim que se desenrolou de 22 a 27 de novembro de 1910 na baía de Guanabara, no Rio de Janeiro, à época a capital do país, sob a liderança do marinheiro João Cândido Felisberto.
Na ocasião, mais de dois mil marinheiros rebelaram-se contra a aplicação de castigos físicos a eles impostos como punição, ameaçando bombardear a cidade. Durante os seis dias do motim seis oficiais foram mortos, entre eles o comandante do Encouraçado Minas Gerais, João Batista das Neves.
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