SAPUCAIA DO SUL/RS

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quarta-feira, 17 de março de 2010

Que lições podemos tirar da tragédia que abalou o Haiti?

Passados alguns dias do terremoto, paira no ar bem mais que a poeira e as moscas; sentimentos se misturam e nos colocam à prova a todo instante: medo, coragem, esperança, desolação, saudade, ansiedade, alegria. Perguntas povoam o pensamento e muito provavelmente resistirão por um longo tempo, mais tempo do que todo o escombro levará para ser removido.

O terremoto não fez desmoronar apenas edifícios, vidas e sonhos; não só rompeu laços e desfez estruturas de vida que levaram anos para serem edificadas, mas evidenciou a necessidade de repensarmos a nossa própria maneira de viver, principalmente de agir uns com os outros. Nos ofereceu uma preciosa oportunidade para refletir sobre alguns aspectos de nossas vidas e sobre o próprio sentido da palavra humanidade.

Certeza que tenho, é que existe uma razão para tudo que aconteceu, para que cada um de nós estivesse aqui. Sigo acreditando que nada acontece por acaso. E se ainda não temos a permissão de entender o porque de todas as coisas, resta-nos refletir e tentar extrair o máximo de aprendizagem possível; um exercício que não deve ser feito com pressa, apesar da urgência; que não deve ser movido pela necessidade de encontrar verdades, pois elas podem ser tão frágeis quanto muitas estruras se mostraram ser.

É este exercício que farei agora. E se existem lições, e acredito que existam, cabe a cada um encontrar aquela que melhor atenda às suas necessidades e aspirações.

A primeira lição que pude extrair- a primeira que me veio à mente após conseguir me ordenar emocionalmente - é sobre a brevidade da existência. Vivemos como se ela fosse durar para sempre, como se nós e todos aqueles que amamos fossem estar conosco, fisicamente, sem que pudessem nos deixar um dia. Enquanto que a existência é como um tênue fio, que pode romper-se quando menos esperamos; como uma pipa outrora suspensa no ar, e que sem aviso “estanca” quando a linha se rompe de um sopetão. Ficando também o desejo de sair correndo para recuperá-la, para tê-la novamente conosco, ocupando o seu pequeno e precioso espaço em nosso céu particular.

A segunda, é a de que precisamos, urgentemente, retomar a nossa relação com a natureza. Apesar de ser um filme, realmente me inspirou Avatar. Ainda que tantos outros tenham nos chamado a atenção para a mesma necessidade, de nos convidarem a refletir sobre a nossa ação na natureza, oferecendo-nos a oportunidade de mudar o nosso olhar e a nossa relação com a mãe terra, esta produção em especial falou-me muito ao coração. Sempre achei que perdemos tempo demais reproduzindo as nossas agrúras e multiplicando os nossos medos; tempo demais nos alimentando de guerra, violência, terror, quando já os temos em quantidade suficiente pelo mundo. No caso de Avatar, posso dizer que senti uma forte carga de espiritualidade nele, de esperança. Pude ver gerações compartilhando o mesmo sentimento, que se ainda não sei como definir em palavras, sinto que chega muito perto da palavra renovação.

A terceira, é que o tempo do homem parece não diferenciar apenas em fusos, mas variar de acordo com a necessidade. Para quem está sentindo dor, o socorro parece ser mais urgente do que para qualquer outra pessoa, ainda aquele que esteja empenhado em aplacar o sofrimento. Após esta experiência, compreendi perfeitamente [acho que posso correr o risco de dizer isso] a essência das palavras do Betinho: Quem tem fome, tem pressa. Quem tem fome, quem tem dor, quem está em desespero, quem perdeu tudo, quem houve um filho chorar de dor, quem se vê impossibilitado de socorrer alguém que se encontra vivo sobre os escombros implorando socorro. Essa lição fez-me perceber que o tempo do homem depende da esfera, ou nível de envolvimento de cada um.

A quarta lição, é influenciada pela anterior. Pessoas que estão envolvidas, bem de perto muitas das vezes, mas que lamentavelmente, dolorosamente, empenham a inteligência e meios para saciar a sua ganância. E enxergam no sofrimento apenas uma oportunidade para colher seu quinhão. Se muito ou pouco, se arracam dos dedos inertes os anéis que sempre ficam; se forçam com madeiras e ferros a abertura das bocas que outrora rezavam à procura de vil metal; se chegam ao extremo de enxergar na infância a matéria prima para traficar as suas abomináveis necessidades... Ainda assim, cada um deles carrega consigo valores mais pútridos do que o odor que exala dos escombros.

A quinta, é do quanto corremos riscos quando nos preocupamos em “ser”. Tomamos muito tempo nos preparando para isso, e neste caminho nos sentimos por vezes ameaçados, seja naquilo em que temos como nossas certezas, seja naquilo que julgamos serem nossas necessidades. Muitas vezes vestimos uma armadura tão pesada, empunhamos tantas armas, que mal podemos estender a mão para um cumprimento. Nos preocupamos em carregar tantas coisas que tornamos nossos passos mais lentos e a viagem mais longa. Quando a melhor maneira de “ser”, é ser com os outros. Que apenas assim, com os outros, conseguiremos forjar a nossa mais forte armadura e armas. Que apenas na companhia de outros a viagem é mais segura e menos cansativa.

A sexta lição é que, ainda que as necessidades irrompam em nós o desejo de ser útil em todas as áreas, devemos ter bastante claro os nossos limites. Principalmente, quando a situação é bem maior do que nós e a solução parece estar acima das nossas possibilidades. Sem dúvida, um sentimento de incapacidade nos invade, de desolação e muitas vezes de culpa. No entanto, devemos nos esforçar para oferecer o que de melhor há em nós, e reforçar-mos sempre em nosso espírito a certeza de que estamos fazendo o melhor.

A sétima lição, é que talvez pela primeira vez na história inúmeras bandeiras se unem para ajudar um povo. Posso estar errado, pois não falo como especialista. Independente disso, é realmente emocionante assistir tantos seres humanos juntos trabalhando para minimizar o sofrimento de seus irmãos. O que me traz a certeza ainda maior de que não há bandeiras, não há diferenças, nem sequer fronteiras quando a nacionalidade passa a ser uma apenas: a humanidade.

A oitava, trata da força que encontramos na simplicidade de uma criança. É surpreendente como elas estão sempre nos ensinando, e a todo instante nos dando um exemplo de esperança. Esperança que, assim como elas, não pára quieta, se renova sempre. E assim que deve ser. Poder partilhar com elas desse momento é sem sombra de dúvidas uma dádiva. É um trabalho duro, que exige muito de cada um de nós. Mas, não tenho dúvidas de que recebemos bem mais do que oferecemos. Cada olhar, cada abraço, cada sorriso. Elas chegam em bando, penduram-se em nossos braços, mãos, nos agarram pelas roupas. Elas, verdadeiramente, são a nossa segurança e a nossa fortaleza. Com elas somos grandes e sonhamos alto. E por elas, principalmente, seguimos em frente.

FONTE:http://flaviosaudade.wordpress.com/2010/02/02/que-licoes-podemos-tirar-da-tragedia-que-abalou-o-haiti/#respond ACESSADO EM 17/03/2010

Gingando pela Paz no Haiti

Formação de Assistentes


Ainda em estado de alerta, caminhamos no sentido de dar continuidade às nossas atividades. Claro, com tudo que aconteceu fomos obrigados a modificar um pouco toda estrutura, mas sempre com o mesmo objetivo em oferecer as melhores condições para que nossos alunos possam seguir em desenvolvimento.

Uma das atividades, que ansiávamos desde algum tempo, é a formação dos nossos asssitentes; jovens que nos auxiliam durante as aulas, nos quais depositamos nossas esperanças para futuros educadores.

Dentre o conteúdo da formação, que ainda não tem tempo definido, estão as aulas de lingua portuguesa, algo muito solicitados por todos eles. As aulas utilizarão elementos da própria capoeira para familizarizá-los com o nosso idioma. O que já vem acontecendo no dia-a-dia, durante as aulas de capoeira, nas rodas, principalmente. Não apenas os assistentes, mas a maior parte dos alunos já cantam uma música ou outra em português. A última, “Samba lê, lê”, juntou-se ao “O Sertão vai virar mar. O mar vai virar sertão” como a mais favorita das crianças. Ambas arracam sorrisos e põe fogo na roda. Depois de tanto cobrar mais animação, nessa hora é preciso controlá-la. [risos]

A primeira aula aconteceu ontem, entre carros que chegavam com mantimentos, crianças e mulheres com cestos de roupa para lavar. A Aília iniciou-os no fantástico universo da língua de Lobato. Palavras como berimbau, atabaque, pandeiro ganharam forma e contornos nos cadernos. Realmente um momento muito especial; o primeiro de muitos passos.

Dentre eles, iremos realizar reuniões para construir juntos o conteúdo da formação, de forma a atender a real necessidades de todos. E oficinas de diálogo, onde teremos a oportunidade de conhecer melhor a história um do outro. O método que iremos utilizar será o da Entrevista Apreciativa, onde cada um realiza uma entrevista com um par e, posteriormente, comenta em grupo os pontos que chamaram mais a sua atenção nada história. Desta forma, objetivamos fortalecer os laços de amizade, de fraternidade e de comunhão que naturalmente já são trançados* através da capoeira.

Fará parte da formação também, temas como cidadania, participatividade, direitos humanos.

( * ) Normalmente, utilizaria a palavra tecer. Porém, neste caso específico, desejei fazer menção à trança, prática bastante presente na cultura de povos de origem africana. A trança, além de passar um sentimento de unidade, para mim, caracteriza uma marca forte de identidade, e a unidade na diferença; ainda mais quando coloridas.

FONTE:http://flaviosaudade.wordpress.com/2010/02/05/formacao-de-assistentes/#respond ACESSADO EM 17/03/2010

domingo, 14 de março de 2010

UNESCO promove encontro para discutir educação e relações étnico-raciais


UNESCO promove um Encontro para construir uma agenda para acelerar o processo de implantação do Plano Nacional de Implementação da Lei 10.639/2003, de 17 a 18 de março de 2010, na Universidade Federal de São Carlos, São Paulo, Brasil.

A Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência, e a Cultura (UNESCO) promove nos dias 17 e 18 de março, na Universidade Federal de São Carlos, no estado de São Paulo, encontro para construir uma agenda de ação política articulada entre movimentos negros e organizações parceiras a fim de acelerar o processo de implantação do Plano Nacional da lei 10.639/2003 (Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação das Relações Étnico-Raciais e para o Ensino de História e Cultura Afro-Brasileira e Africana). A agenda deverá incidir na construção do novo Plano Nacional de Educação (2011-2020).

O evento “O papel da sociedade civil na implementação do Plano Nacional da lei 10.639/2003 - Rumo a uma agenda de ação política articulada" é resultado de uma parceria da UNESCO no Brasil com o Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros (NEAB/UFSCar), a ONG Ação Educativa, o Centro de Estudos das Relações de Trabalho e Desigualdades (CEERT) e o Programa de educação e profissionalização para igualdade racial e de gênero do CEAO – Centro de Estudos Afro-Orientais (CEAFRO), e conta com o apoio do Instituto C&A e Save the Children UK.

O encontro dá continuidade ao debate sobre a lei 10.639/2003, organizado pelo Ministério da Educação e pela UNESCO, em novembro de 2007, em Brasília. O workshop, que contou com a participação de várias organizações da sociedade civil e representantes de diferentes instâncias do governo, teve como principal desdobramento a agenda que resultou na elaboração do Plano Nacional de Implementação da Lei 10.639/2003, entregue ao MEC em dezembro de 2008. O Plano foi lançado pelo Ministério da Educação e pela Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (SEPPIR) em maio de 2009.

Para mais informações, por favor, entre em contato com:

FONTE:http://www.unesco.org/pt/brasilia/single-view/news/unesco_promotes_meeting_on_ethnic_racial_relations_education/back/9669/cHash/fc1f791e16/ ACESSADO EM 14/03/2010

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Viajante marroquino é tema de vídeo sobre história da África




Um videodocumentário de 26 minutos, um livro com 71 páginas para os professores, um caderno de 35 páginas para os alunos e uma página eletrônica reúnem novos materiais sobre história da África e cultura afro-brasileira para uso de educadores e alunos do ensino básico público.

Os materiais foram elaborados pelo historiador e pesquisador José Rivair Macedo, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), com recursos do Ministério da Educação. Devem ter dois tipos de distribuição, segundo a coordenação de diversidade da Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade (Secad). Na primeira etapa, o vídeo, o livro e o caderno serão oferecidos por meio eletrônico no Portal do MEC e na TV Escola. O prazo previsto é junho deste ano. A impressão dos materiais de estudo e a reprodução do vídeo devem ficar prontas até dezembro.

O vídeo é o produto principal, explica o coordenador do projeto, José Rivair Macedo. O livro, o caderno e a página eletrônica, além de darem suporte ao vídeo, servirão de subsídio para pesquisa. As obras farão parte do acervo didático-pedagógico sobre a temática étnico-racial, história da África e cultura afro-brasileira que o MEC está construindo para a educação básica pública, conforme prevê a Lei nº 10.639, de 9 de janeiro de 2003. A proposta, diz o professor Rivair, é que estudantes professores tenham “um novo olhar sobre a África”.

O fio condutor dos três materiais é o personagem Ibn Battuta, um viajante marroquino que foi de seu país ao Sudão ocidental entre os anos de 1352 e 1353. Viajando pela África com Ibn Battuta, que é o título do vídeo, relata e ilustra a jornada do viajante, um cidadão culto, rico e protegido do sultão Ibu Inam, que governava o Marrocos naqueles anos do século 14. Ibn, conforme o vídeo, é hoje lembrado pelo mundo muçulmano como o “príncipe dos viajantes”. Ele viveu 64 anos e teria viajado durante 30 anos para conhecer países e culturas.

Pelo deserto – O vídeo conta que, em 1352 da era cristã, Battuta decidiu conhecer o império do Mali, seguindo com uma caravana de comerciantes pelo deserto do Saara, que iam em busca de ouro, sal e escravos. De acordo com o documentário, a caravana percorreu quase 1 mil quilômetros durante dois meses, suportando tempestades de areia, o calor do dia e o frio da noite no Saara.

Ao final da travessia do deserto, o viajante descreve o que encontrou: bois selvagens e manadas de animais desconhecidos, o rio Níger, a vegetação das savanas. Ao chegar a Mali, Ibn Battuta fica oito meses conhecendo o país, seu povo e costumes.

Battuta escreve assim: “...Marrakech é uma das cidades mais famosas, muito larga e longa, bem abastecida com todos os gêneros de mercadorias. Há grandes mesquitas, como a de Kutublyyn (dos livreiros), que tem um enorme e colossal minarete em que subi e pude ver toda a vista da povoação, que vai sendo dominada por ruínas”.

Quando conta sobre as minas de sal de Togaza, diz: “Depois de 25 dias, chegamos a Togaza, uma povoação sem cultivos, mas que tem uma singularidade: suas casas e a mesquita são edificadas com blocos de sal gema e os tetos são feitos com couro de camelo”.

Estudantes e professores poderão ler e discutir a parte final do relato – A viagem ao Mali na Trilha de Ibn Battuta, que serviu de base para o vídeo, traduzido para a língua portuguesa. São 19 páginas. O manuscrito original está na Biblioteca Nacional de Paris.

Ionice Lorenzoni
FONTE:http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_content&view=article&id=15010:viajante-marroquino-e-tema-de-video-sobre-historia-da-africa&catid=211&Itemid=86 ACESSADO EM 23/02/2010

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Programa de Educação Anti Racista na UFRGS


Programa Educação Anti-Racista no Cotidiano Escolar e Acadêmico

O Programa Educação Anti-Racista no Cotidiano Escolar e Acadêmico, construído em parceria com as Secretarias Municipais de Educação da Região Metropolitana de Porto Alegre e Movimento Negro, atua desde 2004 na UFRGS. Coordenado pelo Departamento de Educação e Desenvolvimento Social da Pró-Reitoria de Extensão, desenvolve atividades de reflexão-ação na construção de práticas anti-racistas e antidiscriminatórias no cotidiano de instituições de educação básica e no espaço da Universidade, conforme estabelece a Lei Federal 10.639/03.

ler mais »


http://www.prorext.ufrgs.br/deds/programas.php?idprograma=02bad878d6f4ae269a734c21ffd78640

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

VISITEM!!!

PESSOAL VISITEM O BLOG DE NOSSA AMIGA ELIZABETH. UM PRATO CHEIO PARA QUEM APRECIA ARTE E CULTURA.

O ENDEREÇO:
http://www.artecult.com/mendesferreira/

sábado, 13 de fevereiro de 2010

♫BAHIANAS: UM SÍMBOLO DO BRASIL NO CARNAVAL E NA CULTURA

*Desenho de uma Bahiana carnavalesca por Cecília Meireles*





O vestuário chamado baiana é uma indumentária tradicional e é a mesma usada nos terreiros de candomblé. Existem roupas para todas ocasiões. A roupa de ração é a mais simples e as roupas feitas com bordado Richelieu podem custar por volta de quinze mil reais. A roupa de baiana pode tomar um colorido especial quando se trata das baianas de eventos turísticos. A roupa da baiana da Escola de samba é um caso a parte mudam de cor e modelo de acordo com o enredo da escola a cada ano, assim como as do Maracatu no Nordeste.


Roupa de ração é a roupa usada diariamente em uma casa de Candomblé. São roupas simples feitas de morim ou cretone. As roupas de ração podem ser coloridas ou brancas, dependendo da ocasião na roça de candomblé. Compõem o jogo: saia (axó) de pouca roda para facilitar a movimentação, singuê (espécie de faixa amarrada nos seios que substitui o sutian), camisu ou camisa de mulata, geralmente branco e enfeitado com rendas e bordados, calçolão (espécie de bermuda amarrada por cordão na cintura, um pouco larga para facilitar a movimentação e proteger o corpo em casos que se é necessário sentar no chão), pano da costa e o ojá, um pano que se amarra à cabeça.

*Bahiana do candomblé, religião afro-brasileira*



O axó tem uma representação muito grande no Jeje. A roupa fala de um simbolismo muito especial, que além de ético e moral, os axós dão para as mulheres posição e postura. É bonito se notar a forma e a reverência que estas roupas expressam em sua aparência e jeito: respeito acima de tudo! As mulheres de jeje, especialmente o mahin, quanto a composição de singuê, de xokotô (espécie de calça, também chamado "cauçulu"), saia, e camisu, compoem seu axó.
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O vestuário de uma Iyalorixá é diferente das roupas usadas pelas equédis(filhas de santo que não incorporam no santo e tem função de organizar as cerimônias sendo responsáveis pelos orixás durante o transe dos irmãos de santo) e iaôs(noviças da religião), é caracterizada pelo uso da "Bata" que é usada por fora da saia com o camisu por baixo, nas casas tradicionais somente a Iyalorixá pode usar, se ela permitir suas filhas egbomis podem usar também, mas nunca permitirá o uso da Bata por uma equédi, iaô ou abian.


A Bata é símbolo de cargo ou posto dentro da hierarquia do candomblé. O pano da costa dobrado sobre o ombro também tem sua representação, é um símbolo de cargo pois as iaôs o usam amarrado no peito, as egbomis na cintura e Iyalorixás no ombro. Normalmente, saias e Batas de bordado richelieu também só são usadas pelas Iyalorixás, assim como o pano da costa de Alaká africano.


Os turbantes também chamados de torço ou ojá, usados na cabeça normalmente são maiores e mais ornamentados, assim como determinados fio-de-contas não podem ser usados por pessoas que não tem cargo, o (fio de ouro) por exemplo só pode ser usado por Iyalorixás com mais de 50 anos de Santo, símbolo de senioridade (como o usado por mãe Menininha).

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Além do simbolismo do vestuário, existem muitos objetos que podem ser caracterizados e usados somente por Iyalorixás e Babalorixás, o anél de ouro com um búzio incrustado é um deles. O brinco de ouro com búzio antes também exclusivo das iyalorixás tornou-se de uso comum, sendo usado até por pessoas que não fazem parte da religião.


*Bahiana quituteira da Bahia*





Na nação Jeje o uso do Hungebê (colar de missangas) só é permitido a quem já fez a obrigação de sete anos, ou melhor, é quando a pessoa recebe o hungebê que passa a ser um vodunsi. Outra característica do vestuário é o uso do Ojá na cabeça, no Candomblé Jeje quem é de santo aboró usa o ojá com uma aba, e quem é de santa Iyabá ou Aiabá usa duas abas, nas outras nações algumas pessoas adotam esse uso.
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A baiana do acarajé (ou simplesmente baiana) é como são chamadas as mulheres que se dedicam à profissão de vendedora de acarajé e outras iguarias da culinária baiana. Na maioria da vezes são filhas ou mães de santo do candomblé que adotaram essa profissão autônoma principalmente por não ter um vínculo com patrão ou empresa. Isso se dá em virtude das obrigações do candomblé muitas vezes requererem sua presença por períodos variáveis de dias podendo chegar a um mês, e se tivesse um patrão seria quase inviável. Mulheres batalhadoras que com muita luta conseguiram a regularização da profissão junto aos poderes públicos. Uma das principais figuras típicas do Brasil, chega a ser uma caracterização obrigatória nas Escolas de Samba do país.
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Sua roupa também é de baiana, pode ser uma roupa simples com saia sem roda, bata, ojá na cabeça e os tradicionais fio-de-contas, ou mais sofisticada com todos os adereços como usam as baianas de eventos turísticos.

A indumentária típica das baianas constitui-se no marco característico da mulher afro-descendente da Bahia, que mantém vivas suas raízes históricas; como tal ela é representada em diversos eventos turísticos típicos, folclóricos, muitas vezes contratadas por empresas, em toda a Bahia e até fora dela. São de cores alegres, usam Batas de renda ou richelieu, e o turbantes ou torços são bem grandes e trabalhados, são independentes da hierarquia do candomblé, não precisa ser uma iyalorixá para usar Bata, todas usam. Um bom exemplo encontra-se na festa da Lavagem das escadarias da Igreja do Senhor do Bonfim, ou nas Escolas de Samba, que obrigatoriamente têm uma Ala das baianas.
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*Roupa característica do Maracatu em Pernambuco*

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A semelhança na roupa característica do Maracatu de Pernambuco com as roupas das baianas é em virtude do Maracatu ser uma parte do candomblé pernambucano que é chamado de "Xangô do Recife" ou também chamado de Xangô do Nordeste por existir em outros estados do Nordeste brasileiro. As roupas podem ser simples como as usadas também nos blocos de rua e pequenos maracatus ou sofisticadas como nos grandes maracatus que muitas vezes são confeccionadas pela própria pessoa que vai usá-la, mantendo o sigilo e a surpresa para apresentar só no dia do cortejo. O vestuário pode ser bordado à mão, trabalho que pode demorar meses para ficar pronto. Ou feitas de rendas, veludo ou brocado, e normalmente a roupa da boneca Calunga figura principal do maracatu, é igual a de sua portadora.
A armação usada por baixo nos cortejos de rua como o Maracatu e escolas de samba, geralmente são feitas de arame ou de plástico, material mais leve do que as anáguas de tecido engomado normalmente usadas nas festas de candomblé.
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*Bahianas das Escolas de Samba do Rio de Janeiro*


A roupa clássica da ala das baianas de uma escola de samba compõe-se de torso, bata, pano da costa e saia rodada. Entretanto, a inventividade dos carnavalescos não tem limites e freqüentemente podemos ver baianas com as mais inusitadas fantasias, tais como noivas, estátuas da liberdade, seres espaciais, globo terrestre (foto) ou poços de petróleo. A confecção dessas roupas tornou-se uma indústria do carnaval que é uma das maiores fontes de emprego tanto para os componentes das escolas como para os profissionais contratados pelas escolas que tem emprego garantido durante o ano todo.

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O mito das bahianas se vivifica nos corpos através dos vestuários e fantasias. A magia do sagrado se extende ao rito do profano. A irreverência e a alma brasileira tem raiz, história e ancestralidade Afro. UM ÓTIMO CARNAVAL PRA TODOS!


http://wikipedia.org
http://afrocorporeidade.blogspot.com/2010/02/blog-post.html Acessado em 13/02/2010

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Algumas curiosidades sobre o Haiti

Oi Pessoal, encontrei esta publicação no site http://flaviosaudade.wordpress.com/2009/04/09/algumas-curiosidades/

e resolvi compartilhar com vcs. Façam uma visita ao site do nosso colega Flávio, vale muito a pena. Abraços



O haiti é um país curioso. E quanto mais o tempo passa, mas curiosidades encontramos. A maior parte delas surgem quando menos esperamos, principalmente quando caminhamos a pé pelas ruas e em conversas com as pessoas.

Cada par no seu lugar

Por conta da ajuda humanitária, encontramos no Haiti, em Porto Príncipe, principalmente, muitas pessoas vendendo roupas nas ruas. A maior parte delas, aparentemente, originárias das doações. É possível encontrar tênis das mais variadas marcas. E muitos deles originais, novos ou em bom estado e por um preço bastante acessível. E em alguns cada o par é separado, estando cada pé em um local de venda. Desta forma eles ampliam as chances de venda e evitam o furto.

A “Feira do BRABATT”

Um outro ponto de venda é a feira que é realizada em frente ao Batalhão do Exército Brasileiro (BRABATT), popularmente conhecida como Feira do BRABATT. Lá é possível encontrar uma grande variedade de coisas: perfumes, tênis e sapatos, camisas de times, máquinas fotográficas, artesanatos, brinquedos… A feira acontece todo sábado e é frequentada por militares e civis.

Combustíveis

Na falta de emprego e oportunidades os haitianos criam divesas formas para a sua subsistência. Uma delas é a venda de combustíveis, que também é feita em barracas nas ruas. E esta, aparentemente, não é uma atividade ilegal. Resta atestar a qualidade do combustível…

A cana-de-açucar

Dentre uma das frutas mais consumidas está a cana-de-açucar, produto muito fácil de encontrar pelas ruas. A cana é vendida normalmente em carrinhos de mão; é descascada, cortada em palitos ,como se faz no Brasil, e embalada em sacos plásticos.

A aquitetura

Uma característica interessante é que em Porto-Príncipe não existem prédios. Com exeção de alguns poucos, situados em bairros mais afastados do centro vemos apenas casas. Muita em estilo francês, dada a incluência da colonização. Algumas delas construções belíssimas que merecem um olhar mais demorado. Por outro lado, quando nos dirigimos para bairros como Bel-Air, deparamos com casebres, vilas e barracos; muitos deles de apenas um quarto onde residem famílias inteiras. Em outras o espaço é dividido com máquinas de costuras. É possível encontrar também muitas barracas em frente às casas onde são vendidos doces, comidas e toda sorte de coisas.

Os “pregões”

Na Capital também podemos encontrar, ou na maioria das vezes ouvir, vendedores anunciando seus produtos que vão desde papel higiênico, bacias, galinhas, peixes e outras tantas coisas que ainda não consegui identificar. Apesar de no Brasil ainda encontrarmos esta atividades, aqui tudo lembra muito os antigos pregões em épocas de República; cestos na cabeça e lá vão eles pregando seus produtos.

Passarinho solto… apanha!

Em um post anterior falava da influência francesa sobre o modo de vestir dos haitianos e da dicotomia que é em um país de clima tropical os homens utilizarem calças e roupas sociais todo o tempo. Dentro deste contexto um fato interessante é que a Polícia Nacional do Haiti, mas conhecida como PNH, coibe fortemente, com violência em muitos casos, os homens que estão sem cuecas. Segundo um haitiano esta proibiçãom não tenho certeza se formal, ocorre pelo fato de a não utilização da cueca configurar falta de higiêne e de este ser um hábito muito presente entre os “vagabundos”. Porém, no que se refere à higiene temos aí um paradigma, pois a consciência de higiêne dos haitianos é ainda muito precária.


FONTE:http://flaviosaudade.wordpress.com/2009/04/09/algumas-curiosidades/ Acessado em 2/02/2010

Recadinho do colega Ozai da revista Urutagua

comunicamos que a edição nº 20 da Revista Urutágua, jan./fev./mar./
abril de 2010, foi publicada e está disponível em:
http://periodicos.uem.br/ojs/index.php/Urutagua/issue/current/showToc

Solicitamos, por favor, que contribua com a divulgação deste projeto
aos seus amigos, colegas e listas que participe.

Permanecemos abertos à sua crítica, sugestões e contribuições.

Muito obrigado.

Abraços e tudo de bom,

____________________
Antonio Ozaí da Silva

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

VISITEM!!!

Pessoal, visitem o blog da Ju tem um monte de coisas lindas em EVA.
É só clicar na imagem abaixo.


quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

VOCÊ QUER TER SEU PRÓPRIO BLOG?

ENTÃO ACESSE:

http://facoblogs.blogspot.com/


Blogs para divulgação de idéias , trabalhos, de sua empresa, negócio ou produto, familiares, para curtir com os amigos, para apresentação de trabalho da escola, faculdade ou pós. Enfim, o blog é uma ferramenta que te disponibiliza mil possibilidades!

Menina Bonita do Laço de Fita

Clique para maximizar e imprimir

Certa vez alguém me pediu esse livro espetacular para baixar e não encontrei... mas navegando pela net eu encontrei e coloquei aqui para vocês... Esse livro é ideal para trabalhar a consciência negra e também as diferencias... portanto aproveitem.
























FONTE:http://meustrabalhospedagogicos.blogspot.com/ ACESSADO EM 25/11/2009

Consciência negra é consciência de classes e de luta

Mais que constatações, são necessárias ações que provoquem a população negra para um protagonismo que será fundamental na luta de classes brasileira

Douglas Belchior


O mês e a semana da consciência negra, celebrada em memória dos líderes Zumbi e Dandara e da revolucionária experiência de Palmares vem sendo cada vez mais incorporada pelos movimentos negros, movimentos sociais e organizações da resistência não só como um momento de reflexão e de festa, mas, sobretudo, como um momento de combate propositivo e enfrentamento às elites racistas deste país.


Com a atual crise do capitalismo, aumentam as injustiças sociais e o povo negro sofre ainda mais. O Estado brasileiro, aliado às elites racistas, impõe a violência e a morte, presentes nas ações policiais nos morros cariocas, nas periferias de São Paulo, Salvador e em todas as demais grandes cidades.


Nos últimos meses a violência do estado policial, comum a nós, ganhou notoriedade em toda imprensa. Os conflitos patrocinados pela polícia militar em regiões periféricas de São Paulo (casos de Heliópolis, Capão e Paraisópolis) provocaram um sentimento de revolta que a cada dia é mais canalizado para a luta por direitos e contra as injustiças. No Rio de Janeiro e na Bahia a população negra sofre como nunca antes nas mãos armadas do estado repressor que ocupa seus espaços, invade, agride, encarcera e mata.


Essa revolta ganha mais sentido à medida que pesquisas como a do estudo da Uerj/Unicef, revelam que as mortes violentas correspondem a 46% dos óbitos de adolescentes no país e é a principal causa de mortes na faixa etária entre 12 e 18 anos. Com isso 33 mil adolescentes deverão morrer por conta da violência até 2012. São quase 5 mil mortes por ano. Em geral, o adolescente assassinado é homem, negro e tem baixa escolaridade.


As desigualdades permanecem em todos os níveis: negras/os recebem em média 53% da renda dos brancos. A taxa de desemprego entre negras/os é de 9,3% enquanto que a de brancas/os é de 7,5%. Nos setores com menor remuneração a maioria das/os trabalhadoras/es é negra, caso da agricultura (60,3%), construção civil (57,9%) e serviços domésticos (59,1%). Cerca de 5% dos negro/as formam-se em cursos superiores ao mesmo tempo em que 18% dos brancos atingem esse mesmo grau de estudo.


Se no período da escravidão a população africana e seus descendentes eram submetidos aos castigos nas máscaras de ferro, tronco, gargalheira, libambo, além de açoites públicos no pelourinho, hoje a tortura está travestida e institucionalizada pelas polícias militares que detém autorização para abordar, prender, torturar e matar. Se nos tempos da colônia e do Império as famílias negras eram fragmentadas ao serem os seus membros vendidos para senhores diferentes, hoje as famílias negras são fragmentadas graças ao caos social vigente, à precarização dos serviços e direitos essenciais e principalmente pela violência e a barbárie que teima em vitimizar especialmente os negras/as.


Mais que constatações, são necessárias ações que provoquem a população negra para um protagonismo que será fundamental na luta de classes brasileira. A organização comunitária através dos cursinhos pré-vestibulares e núcleos de base apresentam-se como uma das alternativas de organização para esse fim.


Desde a República de Palmares, que foi o mais importante testemunho do poder de organização política, econômica e militar dos negros na América Latina, nossa população se fez presente em todos os levantes sociais nos períodos da Colônia e do império. A resistência negra se deu historicamente na prática da luta pela sobrevivência e permanece assim até nossos dias. A nós resta lutar!


Daí a importância em integrar as demandas e pautas dos mais diversos movimentos às lutas do povo negro, assim como será fundamental para o acúmulo de forças e para a construção de um novo projeto de país a integração da questão racial como um elemento estruturante das desigualdades sociais e não apenas como assunto temático ou setorial.


A luta por educação pública, gratuita e de qualidade, por um sistema de saúde eficiente e acessível, por reforma agrária e urbana, por moradia digna, a luta contra os interesses do grande capital especulativo, do sistema financeiro e bancário, do latifúndio e do agronegócio são bandeiras que devem ser apropriadas pelos movimentos negros, afinal, suas conseqüências sociais atingem especialmente a população negra.


Da mesma forma esperamos que os/as companheiros/as dos diversos movimentos sociais considerem a necessidade e a urgência do combate ao racismo e às desigualdades dele recorrente, que hoje hegemoniza nossas relações e está institucionalizado e enraizado em toda a sociedade. Só assim teremos chances de vitória no combate à burguesia racista brasileira.

Fomentar a consciência negra é resgatar a consciência de classes e de luta. Portanto, dia 20 de novembro é dia de ação e de enfrentamento!


Douglas Belchior é professor de história e membro do Conselho Geral da Uneafro

fonte:http://www.brasildefato.com.br/v01/agencia/analise/consciencia-negra-e-consciencia-de-classes-e-de-luta/view ACESSADO EM 25/11/2009