"Ninguém nasce odiando outra pessoa pela cor de sua pele ou por sua origem ou sua religião. Para odiar, as pessoas precisam aprender. E se podem aprender a odiar, podem ser ensinadas a amar, pois o amor chega mais naturalmente ao coração humano do que o seu oposto. A bondade humana é uma chama que pode ser oculta, jamais extinta."Nelson Mandela
SAPUCAIA DO SUL/RS
quinta-feira, 22 de outubro de 2009
Racismo... NÃO!!!
quarta-feira, 21 de outubro de 2009
África Hoje
Para que o mundo atinja os “Objectivos de Desenvolvimento do Milénio” e acabe por erradicar a pobreza, tem de enfrentar primeiro, com êxito, o desafio da construção de sociedades culturalmente diversificadas e inclusivas» – escreve no prefácio do Relatório o administrador do PNUD, Malloch Brown. O Relatório do Desenvolvimento Humano referente a 2004, lançado em Bruxelas no dia 15 deste mês, é dedicado à Liberdade cultural num mundo diversificado como parte vital do desenvolvimento humano. O documento, cuja versão portuguesa foi apresentada em Lisboa por Gita Welch, directora do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), faz uma ampla análise das questões de identidade em dezenas de comunidades e nações, analisando muitas e diferentes abordagens políticas, desde planos de educação bilingue e de acção afirmativa até sistemas inovadores de representação proporcional e de federalismo. Reconhecendo que todas as pessoas têm o direito de manter a sua identidade étnica, linguística e religiosa, o documento – que não é um relatório de soluções – sublinha, por isso, que «a globalização económica não pode ter êxito, a menos que as liberdades culturais também sejam respeitadas e protegidas», assim como deve ser abordada e ultrapassada a resistência xenófoba à diversidade cultural. «Para que o mundo atinja os “Objectivos de Desenvolvimento do Milénio” e acabe por erradicar a pobreza, tem de enfrentar primeiro, com êxito, o desafio da construção de sociedades culturalmente diversificadas e inclusivas» – escreve no prefácio do Relatório o administrador do PNUD, Malloch Brown. Na apresentação em Lisboa, em cerimónia conduzida por Luís Almeida Sampaio, presidente do Instituto Português de Apoio ao Desenvolvimento, Gita Welch sublinhou igualmente o alcance dos “Objectivos do Milénio”, sustentando a cumplicidade que há entre o factor cultural e o desenvolvimento na era da globalização crescente.
Numa altura em que o terrorismo abala a segurança mundial, a directora do PNUD nega categoricamente a afirmação dos que fazem crer que a diversidade é a causa de conflitos e contribui para enfraquecer os Estados. África é dos continentes que mais sofre o impacto dos desequilíbrios em termos de desenvolvimento.
O Índice do Desenvolvimento Humano mostra que 20 países sofrem regressões desde 1990. Trezes desses países situamse na África subsariana. Em oito destes (Angola, República Centro-Africana, Lesoto, Moçambique, Serra Leoa, Suazilândia, Zâmbia e Zimbabwe) a esperança de vida caiu para 40 anos ou menos, devido, em grande medida, à pandemia do HIV/SIDA.
De acordo com o Relatório, a crise da SIDA tornou-se no maior factor de declínio dos indicadores globais de desenvolvimento humano a nível da região. A isso somam-se a problemática da seca, por exemplo na África Austral, e a questões de financiamento ao desenvolvimento por parte dos países desenvolvidos, que não tem conhecido sinais de crescimento. Gita Welch alertou existir um certo perigo de muitos países de África não poderem recuperar desta crise, «que será permanente e comprometerá profundamente a possibilidade de um desenvolvimento contínuo». Perante esta realidade, aconselhou, «é necessário que – quer por parte dos países em desenvolvimento, quer por parte dos países doadores – haja uma reavaliação da maneira como uns e outros vêem a questão do desenvolvimento».
Para a directora do PNUD, «aquilo a que chamamos de desenvolvimento humano sustentável ganha uma importância redobrada », não havendo aumento de ajuda económica que surta efeito se este não for acompanhado de uma política que promova a boa governação, a luta contra a corrupção e prova de capacidade. «Isto é uma estrada de dois sentidos», acrescentou, afirmando que «tem que haver por parte de uns e outros uma responsabilidade e responsabilização muito maior relativamente ao processo de desenvolvimento dos seus países.»
FONTE: http://pobrezafrica.no.sapo.pt/africahoje.htm Acessado em 21/10/2009
África, a Diversidade num Continente
Por Denis Richter
O continente africano é amplamente conhecido pelas suas belezas naturais, principalmente quando se refere à grandiosa vida selvagem. Porém, o que encontramos de imenso neste continente é uma enorme diversidade física e sócio-econômica, pois existe neste espaço desde extensos vales férteis, aonde a vida parece não ter fim, até desertos gigantes, como é o caso do Saara, o maior do mundo. O contraste da pobreza e riqueza também é muito visível por toda sua extensão continental, sendo caracterizado principalmente pelas péssimas condições de vida em muitos países. O termo “berço da humanidade” é dado em razão da África abrigar uma das civilizações mais antigas e intrigantes do globo, os egípcios, que formaram um poderoso “império” a 4 mil anos atrás. Portanto, toda essa riqueza cultural e natural existente no continente, torna a África um espaço muito particular.
Em conseqüência a esta diversidade, não é tarefa fácil dividir a África por regiões devido a sua heterogenidade ao longo do continente. Porém, pode-se definir duas formas básicas de classificação regional: as questões físicas (localização geográfica) e questões humanas (cultura/ocupação)
África: cinco regiões num continente
Ao visualizar um mapa da África, pode-se ver que dividir o mesmo por regiões a partir da sua localização espacial nos sentidos Norte, Sul, Leste e Oeste é bem possível. Dessa forma, classifica-se o continente em cinco regiões distintas quanto a sua posição geográfica: Norte da África, Oeste da África, África Central, Leste da África e Sul da África.
Norte da África: como o próprio nome já diz, é a área situada ao norte do continente e que vem a ser banhado pelo Mar Mediterrâneo, em sua maioria, fazendo parte desta região cinco países. Também não se pode esquecer que ao sul desta região se encontra o deserto do Saara.
Oeste da África: é uma região muito confusa do ponto de vista político. São quinze nações que dividem um espaço caracterizado por áreas desérticas (Saara, ao norte) e florestas tropicais. Em sua economia local, a exploração de petróleo destaca-se com uma atividade bem atraente para os países.
África Central: caracterizada pelos inúmeros conflitos da década de 90 que marcaram profundamente a região, a África Central ficou conhecida no mundo pelos conflitos no Zaire que o transformaram em República Democrática do Congo. Oito países fazem parte desta região, destacada por grandes florestas tropicais em razão de estar na latitude 0 do globo.
Leste da África: também conhecida como “Chifre da África”, por sua forma física do extremo leste africano, é uma área bem diversificada por ter países bem estruturados e urbanizados, como é o caso do Quênia, e em contraponto a isto, existe à Somália e Etiópia, nações mergulhadas em problemas gerados pelas suas guerras civis. Nesta região encontram-se dez países bem distintos, tantos nos aspectos físicos como humanos. É na divisa entre Uganda, Tanzânia e Quênia que existe o lago Vitória, que é considerado a nascente do rio Nilo.
Sul da África: o extremo sul africano é representado pelas diferenças existente ente os onze países no campo sócio-econômico, principalmente, pois o contraste entre a África do Sul, nação bem desenvolvida, se comparada aos outros países africanos, em relação aos demais é visivelmente percebido. Este país exerce um poder centralizador nesta região, onde a economia é seu ponto forte. Observa-se também uma diversidade natural neste espaço, em razão de possuir grandes vales férteis e vastos desertos como o Kalahari, sendo no delta do Okavango (Botsuana) acontece uma das maiores e mais impressionantes migrações do mundo, a dos gnus.
Aspectos Sócio-econômicos
Agora, analisar a África destacando suas características culturais, promove uma divisão bem diferente da anterior. Ao observar o continente africano pela sua ocupação ao longo dos anos, classifica-se a África em duas regiões: África “branca” (cultura árabe) e África “negra” (culturas locais).
Isto é possível em virtude da influência que a região norte da África (árabe) sofreu da ocupação dos povos do Oriente Médio (Ásia) durante os tempos, tendo como resultado um espaço totalmente adverso da África “negra”, sendo esta última caracterizada pelas culturas regionais provindas de milenares tribos africanas. Também é possível destacar a própria cor da pele dos africanos nessas duas regiões: os descendentes de árabes possuem uma tez clara, em grande parte, enquanto que os africanos relacionados com as culturas tribais já têm uma cor mais negra.
Sendo assim, a África vem a ser o resultado de anos de ocupação e influência das mais diversas culturas do mundo que remodelaram e transformaram seu continente num espaço diversificado e muitas vezes carente de recursos econômicos, por outro lado, suas belezas naturais são únicas e, por enquanto, estão permanentes em todo seu território.
Divisão Física (localização) da África
| Norte da África | Argélia, Egito, Líbia, Marrocos, Saara Ocidental e Tunísia |
| Oeste da África | Benin, Burkina Faso, Cabo Verde, Gâmbia, Gana, Guiné, Guiné-Bissau, Libéria, Mali, Mauritânia, Níger, Nigéria, Senegal, Serra Leoa e Togo |
| África Central | Camarões, Congo, Gabão, Guiné Equatorial, República Centro-Africana, República Democrática do Congo, São Tomé e Príncipe e Chade |
| Leste da África | Burundi, Dijbuti, Eritréia, Etiópia, Quênia, Ruanda, Somália, Sudão, Tanzânia e Uganda |
| Sul da África | África do Sul, Angola, Botsuana, Lesoto, Madagascar, Malauí, Moçambique, Namíbia, Suazilândia, Zâmbia e Zimbábue |
Divisão Sócio-Econômica da África
| África “branca” | Argélia, Dijbuti, Egito, Eritréia, Etiópia, Líbia, Mali, Marrocos, Mauritânia, Níger, Saara Ocidental, Somália, Sudão e Tunísia. |
| África “negra” | Benin, Burkina Faso, Cabo Verde, Gâmbia, Gana, Guiné, Guiné-Bissau, Libéria, Nigéria, Senegal, Serra Leoa, Togo, Camarões, Congo, Gabão, Guiné Equatorial, República Centro-Africana, República Democrática do Congo, São Tomé e Príncipe, Chade, Burundi, Quênia, Ruanda, Tanzânia, Uganda, África do Sul, Angola, Botsuana, Lesoto, Madagascar, Malauí, Moçambique, Namíbia, Suazilândia, Zâmbia e Zimbábue |
As condições de vida dos negros no Brasil
Edison Barbieri
Após 110 anoS da libertação, os negros brasileiros continuam lutando pela liberdade e cidadania. Depois da África, o Brasil é o país que concentra a maior população negra do mundo e também onde os negros permanecem ocupando a mais baixa localização na pirâmide social
O termo exclusão é o que mais fielmente traduz a condição em que se encontra o povo negro no Brasil e no mundo. Nos últimos anos, experimentou-se, em escala mundial, uma brutal concentração de renda e de poder. As elites põem em prática projetos conservadores, que recolocam o racismo na ordem do dia - quer seja através da rearticulação e do avanço da direita nos países europeus, quer através do desmonte de políticas sociais antes destinadas aos segmentos marginalizados da população.
Na África morreram, no ano passado, cerca de meio milhão de pessoas por doenças pulmonares, além das mortes provocadas pela fome, guerra e epidemias. No Brasil, é a parcela negra da população a mais duramente atingida pelo desmonte das políticas sociais e de saúde, pelos sistemas de controle populacional, pelo desemprego crônico, pela fome e a violência do latifúndio, do aparato policial e dos grupos de extermínio. É negra a maioria de crianças que vivem nas ruas e de jovens assassinados nos centros urbanos.
Dados assustadores
Dados referentes nos Indicadores Sociais Mínimos do IBGE de 1996 mostraram que a taxa de mortalidade entre crianças negras e pardas no Brasil é dois terços superior à da população branca da mesma idade. Em outras palavras, até os 5 anos, elas têm 67% mais chances de morrer do que uma criança branca. O índice de mortalidade de crianças brasileiras pardas e negras de até 5 anos de idade é de 76 para cada mil nascida vivas. Entre as brancas, a taxa cai para 46 mortes em cada mil.
Também entre os adultos, os homens e mulheres negros estão em condições de maior desigualdade em nosso país. Dados do último censo realizado pelo IBGE em 1990, revelam que entre os brasileiros que contavam com carteira assinada, 58% eram brancos e 41% negros (34% considerados pardos mais 7% considerados negros). De cada 100 empregados, 51% sobreviviam com salário mínimo. Do total de trabalhadores que ganhavam um salário mínimo, 79% eram negros. A inserção no mercado de trabalho é precoce: as crianças brancas de 10 a 14 anos somam 14,9% e as negras 20,5%.
Na área educacional, em 1997, segundo o IBGE, 18% da população brasileira é analfabeta, sendo que entre os negros este percentual sobe para 35,5%, enquanto na população branca é de 15%. No outro extremo, 4,2% dos brancos e apenas 1,4% dos negros haviam alcançado o ensino superior. Em todos os níveis educacionais, a participação do segmento branco é nitidamente superior à do segmento negro. Essa desigualdade reflete-se no acesso ao emprego, aos serviços, aos direitos mínimos de cidadania e na participação no poder, além do aspecto ideológico, marcado pelos preconceitos e estereótipos.
Para exemplificar melhor esse fato, segundo os dados do IBGE de 1997, a média salarial da população branca no país foi de 600 reais por mês, já a média da população negra foi de 300 reais.
O conhecimento sobre as desigualdades raciais, que nos leva à constatação de que um trabalhador negro com formação universitária recebe o equivalente à metade do salário de um trabalhador branco com igual qualificação, comprova a teoria de que a discussão sobre a problemática racial não pode estar dissociada da luta pela igualdade de classes, principalmente porque muitos dos trabalhadores são negros.
Negros e violência
O professor Sérgio Adorno, do Núcleo de Estudos da Violência da USP, há vinte anos vem pesquisando processos na justiça de São Paulo. Entre 1984 a 1988, num fórum de um bairro popular de São Paulo, a Penha, constatou que os negros que representavam 24% da população, participavam com 48% das condenações. Os nordestinos, que são em torno de 18% da população, respondiam por 27% das condenações. Cerca de 5% da população são aqueles cidadãos sem profissão, os chamados biscateiros, que a "justiça" chama de pessoas com "ocupação mal definida". De cada 100 condenados, 35 estavam nessa situação. Outro dado está na população carcerária do Brasil. O último levantamento do Ministério da Justiça indica que cerca de 65% da massa carcerária é de negros e 95% são pobres.
O professor Adorno analisou 500 processos criminais da Cidade de São Paulo, em 1990, e constatou que a maior parte dos réus, 38%, foi condenada por roubo qualificado, em que se usam meios violentos. Os negros são presos em fragrante com mais freqüência que os brancos, na proporção de 58% contra 46%. Isso sugere que recebem uma maior vigilância por parte da polícia. Constatou ainda que 27% dos brancos respondem ao processo em liberdade, enquanto só 15% dos negros conseguem esse benefício. Apenas 25% dos negros levam testemunha de defesa ao tribunal, que é uma prova muito importante, enquanto 42% dos brancos apresentam esse tipo de prova.
É fácil concluir dessa pesquisa do professor da USP que a questão racial tem mais peso do que a financeira. Os negros podem usar exatamente os mesmos direitos de um branco e ainda assim o resultado não será igual. 27% dos negros que contratam, segundo a pesquisa, são absolvidos; no caso dos brancos, a taxa de absolvição chega a 60%.
As condições em que os negros exercem sua cidadania precisam ser reconhecidas por todos como anômalas. Cálculos do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), de 1989, indicam que 44,2% da população brasileira, ou mais de 65 milhões de pessoas, são "pretos" ou "pardos" . No entanto, nas esferas de influência e de poder, a presença negra é restrita, para não dizer nula.
Apesar de o Brasil ter 65 milhões de negros há muitas injustiças contra eles como estamos vendo. Os negros são a maioria dos analfabetos, dos menores salários, nas prisões, nas favelas e nos subempregos e são minoria nas faculdades, entre os empresários, os heróis reconhecidos, os governantes, os bispos, generais, almirantes, brigadeiros e na mídia. Para corroborar essa afirmação, podemos citar Salvador, onde cerca de 60% da população é negra, mas quase não há negros na administração municipal.
A luta anti-racista
A luta anti-racista experimentou um crescimento sem precedente, tanto em função do fortalecimento das organizações autônomas, quanto pela multiplicação de entidades em todo o país, ou pelas novas formas de articulação e de expressão da militância em vários espaços, como por exemplo: locais de trabalho, organizações rurais, sindicatos, movimentos populares, partidos políticos, universidades, parlamento, mulheres negras, órgãos governamentais, entidades religiosas. Nestes âmbitos, devemos ressaltar principalmente as lutas das pastorais do negro da Igreja católica, que começaram com dom Paulo Evaristo Arns, dom Hélder Câmara e dom José Maria Pires, os pioneiros mais sistematizado contra a discriminação dos negros no Brasil, e que depois tomaram corpo em quase todas as dioceses.
FONTE:http://www.pime.org.br/mundoemissao/justicascond.htm Acessado em 21/10/2009A África que nunca vimos, ou que ninguem nos mostra!
Assistam ao vídeo e façam um breve comentário, observem o título, ele já nos diz muitas coisas. No primeiro momento comentem somente sobre o vídeo "A África que nunca vimos, ou que ninguem nos mostra". Mas podem assistir os outros vídeos, são interessantes e vocês verão as vária faces do Continente Africano, posteriormente podem escolher outro vídeo para comentários.
Imagens de cidades do continente africano que não são mostradas nos livros didáticos. Somente com uma boa pesquisa podemos ver o outro lado do continente africanos que não nos é mostrado.
sexta-feira, 16 de outubro de 2009
ATENÇÃO!!!
A Revista Urutágua, ISSN 1519-6178 (on-line), está aberta á
contribuição dos pesquisadores, acadêmicos e docentes, interessados em
submeter trabalhos. A revista é multidiscplinar e as submissões,
considerando-se a próxima edição, n 20, a ser publicada em janeiro de
2010, deverão ser efetuadas no seguinte endereço:
http://www.periodicos.uem.br/ojs/index.php/Urutagua/about/submissions#onlineSubmissions
Os trabalhos devem ser inéditos e submetidos até 10 de novembro de
2009.
Por favor, observe as Diretrizes para autores.
A Revista Urutágua: revista acadêmica multidisciplinar, ISSN 1519-6178
(on-line), é publicada quadrimestralmente pelo Departamento de
Ciências Sociais da Universidade Estadual de Maringá-UEM. A revista
tem por que objetivo divulgar a produção do conhecimento relacionado
às diversas áreas de conhecimento, sendo uma revista multidisciplinar.
Seu objetivo principal é incentivar a produção acadêmica dos
graduandos. Também está aberta aos pós-graduandos e docentes, em todas
as áreas do saber acadêmico. O site da revista é:
http://www.periodicos.uem.br/ojs/index.php/Urutagua
Esperamos sua contribuição e também estamos abertos às críticas e
sugestões.
Muito obrigado.
Atenciosamente,
____________________
Editor: Antonio Ozaí da Silva
Co-Editor: Vinicius Costa Souza
http://www.periodicos.uem.br/ojs/index.php/Urutagua/index
quinta-feira, 15 de outubro de 2009
TEMPO DE MATAR
Informações do Filme
Titulo: Tempo de Matar
Áudio: Inglês
Legenda: Português ( Clique aqui para baixar )
Ano de Lançamento: 1996
Formato: Drama / Suspense
Tamanho do Arquivo 8 CD1 : 31,5 MB
Tamanho do Arquivo 8 CD2 : 28,5 MB
Tamanho Total Compactado: 1,36 GB
Servidor: MegaUpload
Sinopse
Em Canton, no Mississipi, dois brancos espancam e estupram uma menina negra de dez anos. Eles são presos, mas quando estão sendo levados ao tribunal para terem o valor da sua fiança decretada o pai da garota (Samuel L. Jackson) decide fazer justiça com as próprias mãos e mata os dois na frente de diversas testemunhas, além de acidentalmente ferir seriamente um policial. Ele é preso rapidamente, mas a cidade se torna um barril de pólvora e, além do mais, a defesa tem de se defrontar com um juiz que não permite que no julgamento se mencione a razão que fez o pai cometer o duplo homicídio, pois o julgamento é de assassinato e não de estupro.
Download Mississipe em Chamas
Mississipi em Chamas
Em luta pelos Direitos Civis
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Repare atentamente no cartaz do filme "Mississipi em Chamas", apresentado no topo dessa página ao lado da explicação dada pelo Dicionário Aurélio para a definição de preconceito. Perceba que um rosto se esconde por detrás de um pano, sendo perceptível apenas pelos olhos, aparentes através de dois buracos, caprichosamente produzidos de forma a criar uma máscara branca.
Não é possível perceber, no entanto, que o lençol utilizado para criar essa máscara tinha a clara intenção de esconder os rostos de pessoas preconceituosas, que pregavam em seus encontros o ódio racial, a superioridade de um grupo humano sobre os demais (no contexto específico do filme, essa discriminação se refere aos negros, mas era extensiva aos hispânicos e a outras minorias) e incitavam a perseguição a todos aqueles que representassem os interesses dessas minorias e atentassem contra o poder dos brancos.
Essas pessoas aparentavam ter tanta certeza em relação a seus pensamentos e posicionamentos político-ideológicos, entretanto não tinham sequer coragem para afirmar publicamente seu engajamento em grupos discriminatórios, como no caso, na infame KKK (Ku Klux Klan), protagonista de algumas das páginas mais tristes e lamentáveis da história dos Estados Unidos.
Ousavam desafiar as leis de seu país e legavam escolas, transporte público ou oportunidades de trabalho de pior condição aos negros. Em determinados casos, inconformados com situações em que eram colocados em desvantagem, queimavam igrejas, assassinavam famílias inteiras, enforcavam pessoas e deixavam cruzes em chamas no quintal de inocentes. Jamais conseguiam enfrentar as dificuldades com a inteligência, com a criatividade ou, ao menos, com um pouco de dignidade.
Tive a preocupação de disponibilizar o significado da palavra preconceito, de acordo com o conceituado Dicionário Aurélio, para que possamos perceber, com clareza, que essa palavra representa a falta de informação, o desconhecimento, o não aprofundamento no que tange a um conceito ou idéia. Representa, também, a aversão e a intolerância por pessoas diferentes (quanto à raça, religião, posicionamentos políticos,...).
Ao fazermos um cruzamento entre as duas definições de discriminação dadas pelo Dicionário Aurélio, chegamos a conclusão que pessoas ligadas a movimentos discriminatórios (como a KKK) são despreparadas, desinformadas e que, em vista de suas incapacidades não foram capazes de perceber que, acima de qualquer diferença de ordem racial, sexual, religiosa ou qualquer outra, somos seres humanos, capazes de realizar, de fraternizar, de produzir, de criar, de gerar vida e, entre tantas outras coisas, de amar.
Talvez esse seja o maior diferencial entre os racistas e todos aqueles que pregam em favor da vida, a capacidade de amar. Talvez, por isso, possamos nos considerar verdadeiramente humanos e aqueles que pregam qualquer discriminação ainda não tenham atingido essa possibilidade... Resta a nós ensinar-lhes e perdoar-lhes!
O Filme
"Mississipi em Chamas" nos conta uma história verdadeira em que dois agentes do FBI, interpretados por Gene Hackman e Willem Dafoe, são enviados ao estado norte-americano do Mississipi para investigar o desaparecimento de três jovens engajados na luta pelos Direitos Civis (dois brancos e um negro).
São encarados com hostilidade pela comunidade local, inclusive pelas autoridades políticas e policiais, envolvidas nos desmandos que preservam e estimulam o preconceito. A comunidade negra local, por seu lado, acuada diante da possibilidade de sofrerem novas perseguições e de ocorrerem novas mortes depois do final das investigações, prefere ficar em silêncio, pouco se pronunciando sobre os desaparecimentos, mesmo quando sabe algo a respeito.
Ameaçados pela Ku Klux Klan, os agentes são obrigados a pedir reforços para poder continuar buscando depoimentos que possam levar-lhes aos jovens desaparecidos. Buscam e encontram pessoas corajosas e determinadas que podem ajudar a juntar todas as peças que levem a solução desse intrigante mistério.
"Mississipi em Chamas" foi indicado a vários prêmios nos Estados Unidos e no exterior, reacendeu o debate acerca da questão racial a partir de um caso solucionado em que os culpados não foram punidos pela justiça e nos permite reavaliar a questão dos Direitos Civis, não apenas nos Estados Unidos, mas também, em nosso país.
Obs. 1- O filme foi indicado ao Oscar de melhor filme, diretor, ator, atriz coadjuvante, edição, som e fotografia. Foi agraciado com o prêmio de melhor fotografia. Além disso, teve Gene Hackman premiado com o Urso de Ouro no festival de Berlim e indicações da Academia Britânica e do Globo de Ouro.
2- Algum tempo depois do sucesso de "Mississipi em Chamas", foi lançado pela Warner Brothers o telefilme "Assassinato no Mississipi", que relata as ações dos três jovens que desapareceram no início do filme "Mississipi em Chamas" até o momento em que se inicia o thriller com Gene Hackman e Willem Dafoe.
Aos professores
1- O que são Direitos Civis? Inicie sua aula questionando seus alunos quanto ao significado da expressão anterior e verifique como eles vão ficar confusos, sem saber exatamente a que se deve a associação entre as duas palavras. Incite-os a procurar especialistas em direito (advogados, promotores, juizes, professores e estudantes de direito), peça a eles que busquem o significado dessa expressão em dicionários jurídicos ou comuns. De posse das definições obtidas através dos depoimentos e das pesquisas em dicionários e livros jurídicos, questione-os sobre os direitos civis no Brasil.
2- Discuta com seus alunos o conceito de Raça e, para aprofundar, o de Etnia. Proponha uma averiguação de indicadores sociais de nosso país a fim de definir se existe ou não racismo no Brasil e, as formas através das quais isso se manifesta. Com base nos dados obtidos, peça aos estudantes que criem campanhas de marketing através das quais proponham o fim do racismo, da discriminação e o estabelecimento de uma sociedade mais justa, fraterna e igual, onde a cor da pele, a opção sexual ou o credo religioso de um indivíduo não o condenem a perseguições, sofrimento e humilhações.
3- Proponha aos alunos pesquisas através da internet para verificar a existência de Organizações Não Governamentais que lutem contra a discriminação e o racismo. Peça que façam perguntas e obtenham informações suficientes para a criação de uma nova ONG, a ser gerida por eles, tendo por base o que puderam pesquisar a partir das outras instituições e do que viram em filmes, entrevistas, levantamentos de dados e definições de conceitos realizados anteriormente.
4- Abra espaço para discussões acerca de uma página muito específica na luta pelos direitos civis. Inicie um ciclo de aulas sobre o regime segregacionista do Apartheid, que esteve em vigor na África do Sul até o final dos anos 1980 e início da década de 1990. Trata-se de um tema forte pelo fato da institucionalização do racismo estar prevista nas leis da África do Sul, devendo gerar debates marcantes depois de todas as pesquisas anteriores feitas pelos estudantes.
Ficha Técnica
Mississipi em Chamas
(Mississipi Burning)
País/Ano de produção:- Estados Unidos, 1988
Duração/Gênero:- 122 min., Drama/Policial
Disponível em VHS e DVD
Direção de Alan Parker
Roteiro de Chris Gerolmo
Elenco:- Gene Hackman, Willem Dafoe, Frances McDormand,
Brad Dourif, R. Lee Ermey, Gailard Sartain, Michael Rooker, Stephen Tobolowsky.
Download Mississipi em Chamas DVDRip [RMVB] Legendado
Tamanho: 395 MB
Idioma: Inglês
Formato: RMVB
Qualidade: DVDRip
Qualidade de Audio: 10
Qualidade de Video: 10
Legenda: Português

http://www.baixartudofree.net/2009/04/download-mississipi-em-chamas-dvdrip-rmvb-legendado.html Acessados em 15/10/2009
A ESPERA DE UM MILAGRE
Sinopse: Passado no Corredor da Morte de uma prisão do sul dos Estados Unidos, em 1935, À Espera de Um Milagre é a adaptação para o cinema do romance best-seller de Stephen King (publicado em 1996) sobre a história de um guarda de prisão que desenvolve um relacionamento incomum e comovente com um preso que possui um dom ao mesmo tempo mágico, misterioso e miraculoso.
À Espera de Um Milagre é todo contado em flasbacks por Paul Edgecomb à sua amiga Elaine Connelly. Edgecomb agora vive num asilo para idosos, seis décadas depois de ter trabalhado como o guarda chefe do Corredor da Morte na Penitenciária de Cold Mountain. Lá, a tarefa de Edgecomb durante a era da Depressão do Sul era cuidar de quatro assassinos que aguardavam sua caminhada final pelo Green Mile, uma comprida passadeira verde que leva os presos de suas celas até a cadeira elétrica.
Durante anos, Edgecomb anda por essa passadeira acompanhando uma grande variedade de presos. Mas nunca antes ele conhecera alguém como John Coffey, um negro enorme condenado por Ter matado brutalmente duas gêmeas de nove anos. Coffey certamente tem tamanho e força para matar qualquer um. Sua conduta, porém, opõe-se à sua aparência. Além de sua natureza simples e ingênua e um medo mortal do escuro, o preso parece possuir um Dom sobrenatural. Edgecomb começa a questionar se Coffey foi realmente o culpado do assassinato das duas meninas.
Com o desenrolar da história, Paul Edgecomb aprende que, às vezes, os milagres acontecem nos lugares menos esperados.
Prêmios:
Oscar: Indicado aos Prêmios de Melhor Filme, Melhor Ator Coadjuvante (Michael Clarke Duncan), Melhor Som e Melhor Roteiro Adaptado.
Globo de Ouro: Indicado aos Prêmios de Melhor Ator Coadjuvante (Michael Clarke Duncan).
DOWNLOAD À ESPERA DE UM MILAGRE
DOWNLOAD - SERVIDOR: MEGAUPLOAD - TAMANHO: 614 MB - IDIOMA: PORTUGUÊS - FORMATO: DVDRIP - LEGENDA: N/A - ESTILO: DRAMA
FONTE:http://www.baixeturbo.org/2008/05/download-espera-de-um-milagre.html
AMISTAD
Amistad ( Amistad DVDrip 1997 )

Sinopse :
Costa de Cuba, 1839. Dezenas de escravos negros se libertam das correntes e assumem o comando do navio negreiro La Amistad. Eles sonham retornar para a África, mas desconhecem navegação e se vêem obrigados a confiar em dois tripulantes sobreviventes, que os enganam e fazem com que, após dois meses, sejam capturados por um navio americano, quando desordenadamente navegaram até a costa de Connecticut. Os africanos são inicialmente julgados pelo assassinato da tripulação, mas o caso toma vulto e o presidente americano Martin Van Buren (Nigel Hawthorn), que sonha ser reeleito, tenta a condenação dos escravos, pois agradaria aos estados do sul e também fortaleceria os laços com a Espanha, pois a jovem Rainha Isabella II (Anna Paquin) alega que tanto os escravos quanto o navio são seus e devem ser devolvidos. Mas os abolicionistas vencem, e no entanto o governo apela e a causa chega a Suprema Corte Americana. Este quadro faz o ex-presidente John Quincy Adams (Anthony Hopkins), um abolicionista não-assumido, sair da sua aposentadoria voluntária, para defender os africanos.
Informações Técnicas :
Título no Brasil: Amistad
Título Original: Amistad
País de Origem: EUA
Gênero: Drama
Tempo de Duração: 154 minutos
Ano de Lançamento: 1997
Site Oficial:
Estúdio/Distrib.:
Direção: Steven Spielberg
Elenco :
Morgan Freeman .... Theodore Joadson
Nigel Hawthorne .... Martin Van Buren
Anthony Hopkins .... John Quincy Adams
Djimou Hounson .... Cinqué
Matthew McConaughey .... Roger Baldwin
David Paymer .... Secretário do Estado Forsyth
Pete Postlethwaite .... Holabird
Stellan Skarsgard .... Lewis Tappan
Razaaq Adoti .... Yamba
Abu Bakaar Fofanah .... Fala
Anna Paquin .... Rainha Isabella II
Tomas Milian .... Calderón
Derrick N. Ashong .... Buakei
Geno Silva .... Ruiz
John Ortiz .... Montes
Jeremy Northam .... Juiz Coglin
Arliss Howard .... John C. Calhoun
Pedro Armendáriz Jr. .... General Espartero
Chjwetel Eliofor
Tamanho do Arquivo : 1.4 GB ( 2 PARTES )
Qualidade do Vídeo : DVDrip ( 10 )
Idioma do Audio : Inglês
OPÇÃO 2 :
Tamanho do Arquivo: 700 MB
Qualidade do Vídeo: DVDRip ( 10 )
Idioma do Audio: Inglês ( legendado )
JORNADA PARA LIBERDADE
Áudio:Português
Legenda:Indisponível
Tamanho: 325 MB
Formato: AVI
Qualidade: DVDRip
Qualidade de Audio: 10
Qualidade de Vídeo: 10
INFORMAÇÕES DO FILME
Ano de Lançamento: 2006
Gênero: Drama
Duração: 117 min
Sinopse:A vida de William Wilberforce é a história de como a perseverança e a fé de um homem mudaram o mundo. Líder do movimento abolicionista britânico, o filme mostra a luta épica para criar a uma lei com o objetivo de acabar com o tráfico negreiro. Durante esta jornada, Wilberforce encontra oposição intensa dos que acreditavam que a escravidão estava diretamente ligada à estabilidade do império britânico. Em seus amigos, incluindo John Newton, um ex-capitão de navio negreiro que compôs o famoso hino Amazing Grace, encontrou suporte para continuar lutando pela causa.
FELIZ DIA DOS PROFESSORES!!!
Parabéns por orgulhar a classe amiga!
segunda-feira, 12 de outubro de 2009
Gênero: Drama
Qualidade: DVDrip
Tamanho do Filme: 700 Mb
Estréia no Brasil: 2008
Compartilhamento: Torrent
Baseada em acontecimentos reais, Lena Baker é a história do esforço de uma mulher para se colocar acima dos desafios da sua vida, das escolhas que faz, e das consequências dessas escolhas. No momento em que Lena Baker pensa ter vencido os seus demónios interiores, ela é chamada a trabalhar para um tirânico homem branco, Elliot Arthur. Eles desenvolvem uma relação carregada, que a sociedade vê como imprópria para o tempo. O seu abuso físico e mental regular, mantém Lena longe das suas crianças e da sua mãe. Aprisionada Lena revolta-se e tenta libertar-se. Segue-se uma luta, e Elliot Arthur, um homem branco, é abatido a tiro por Lena Baker, uma mulher Afro-Americana, numa noite húmida e quente do Sudoeste da Geórgia de 1945.
Download:
Filme A História de Lena Baker + Legenda (Easy-Share)
Filme A História de Lena Baker + Legenda (MediaFire)
FONE:http://lagarantiasoyjo.com.br/category/downloads/page/2/ Acessado em 12/10/2009
domingo, 11 de outubro de 2009
Quilombo dos Palmares
Zumbi foi um dos mais bravos líderes da comunidade quilombola dos Palmares.
Durante todo o período em que a escravidão foi vigente, os cativos empreenderam formas diversas de escaparem daquela ordem marcada pela repressão e o controle. Dentre as várias manifestações de resistência, os quilombos, também conhecidos como mocambos, funcionavam como comunidades de negros fugidos que conseguiam escapar do controle de seus proprietários.
Sendo local de refúgio, os escravos escolhiam localidades de difícil acesso que impedissem uma possível recaptura. Além disso, os quilombos também eram estrategicamente próximos de algumas estradas onde poderiam realizar pequenos assaltos que garantissem a sua sobrevivência. Não sendo abrigo apenas de escravos, os quilombos também abrigavam índios e fugitivos da justiça.
Um dos quilombos mais conhecidos da história brasileira foi Palmares, instalado na serra da Barriga, atual região de Alagoas. Com o passar do tempo, Palmares se transformou em uma espécie de confederação, que abrigava os vários quilombos que existiam naquela localidade. Seu crescimento ocorreu principalmente entre as décadas de 1630 e 1650, quando a invasão dos holandeses prejudicou o controle sobre a população escrava.
A prosperidade e a capacidade de organização desse imenso quilombo representaram uma séria ameaça para a ordem escravocrata vigente. Não por acaso, vários governos que controlaram a região organizaram expedições que tinham por objetivo estabelecer a destruição definitiva de Palmares. Contudo, os quilombolas resistiram de maneira eficaz e, ao longo de oitenta anos, conseguiram derrotar aproximadamente trinta expedições militares organizadas com este mesmo objetivo.
Mediante a resistência daquela população quilombola e não mais suportando a exaustão das derrotas, o governador de Pernambuco, Aires Sousa e Castro, e Ganga Zumba, importante líder palmarino, assinaram o chamado “acordo de 1678” ou “acordo de Recife”. Por esse tratado, o governo pernambucano reconhecia a liberdade de todos os negros nascidos em Palmares e concedia a utilização dos terrenos localizados na região norte de Alagoas.
Alguns membros do Quilombo não aceitaram o termo estabelecido por Ganga Zumba, que acabou sendo envenenado por seus opositores quilombolas. A partir de então, o controle de Palmares passou para as mãos de Zumbi, que não aceitava negociar com as autoridades e preferia sustentar a situação de conflito. Com essa opção, estava traçado o caminho que culminaria na destruição deste grande quilombo.
Em 1694, sob a liderança do bandeirante paulista Domingos Jorge Velho, as forças oficiais começaram a impor a desarticulação de Palmares. Inicialmente, mesmo ocorrendo a destruição quase definitiva, Zumbi e alguns resistentes fugiram, se organizaram e continuaram lutando. No ano seguinte, Zumbi foi morto e degolado pelos bandeirantes, que enviaram a sua cabeça até Recife como símbolo maior da vitória contra os quilombolas palmarinos.
Atualmente, as lideranças do movimento negro brasileiro reverenciam a ação heroica dos palmarinos e prestigiam Zumbi como um símbolo de resistência. No dia 20 de novembro, mesma data em que Zumbi foi morto, é comemorado o Dia da Consciência Negra. Certamente, Palmares demonstra que a hegemonia da ordem escravocrata foi colocada em dúvida por aqueles indivíduos que negaram se subordinar ao status quo da época.
Por Rainer Sousa
Graduado em História
Equipe Brasil Escola
FONTE:http://www.brasilescola.com/historiab/quilombo-dos-palmares.htm
Quilombolas do Campinho: jogo e navegação online.
O intercâmbio digital entre as comunidades traz desenvolvimento local e a mobilização das populações por políticas públicas contra o desemprego e a perda da sua identidade cultural Carlos Minuano
Cozinha ao ar livre, de família quilombola
Para os moradores da Comunidade Quilombola Campinho da Independência, localizada no município de Paraty, no Rio de Janeiro, os problemas não são poucos. Entre os mais graves, o emprego escasso e a perda da identidade cultural. Ainda assim, a quilombola Aline Martins, de 18 anos, guia de turismo da comunidade, vê com otimismo o futuro, apostando em um novo aliado — a tecnologia — na dura tarefa de resgatar as tradições de seu povo.
Quilombola Aline navega
na internet, na sede da
associação ao lado do
atabaque usado nos jongos O quilombo surgiu no século 19, pelas mãos de Antonica, Marcelina e Luiza. A elas, o dono da então Fazenda Independência entregou as terras, após a Abolição. E as três mulheres negras, lideranças comunitárias que trabalharam na casa-grande, reuniram no lugar ex-escravos da própria fazenda e escravos libertos das fazendas vizinhas. Atualmente, são cerca de cem famílias remanescentes dessa história. Subsistem principalmente da agricultura familiar, que era trabalhada em forma de mutirões, com o plantio de feijão, arroz, milho, e, principalmente, mandioca e cana-de-açúcar. Hoje, o artesanato representa também importante fonte de renda.
Diariamente, Aline apresenta sua comunidade e cultura aos diversos visitantes, turistas brasileiros e estrangeiros, além de estudantes e pesquisadores. Mas, apesar dos pés descalços da maioria e do ambiente rústico, o acesso ao quilombo hoje já pode ser feito também por outra via, a digital. Aline conta que há dois anos a comunidade passou a ter acesso à internet na Associação de Moradores do Campinho (Amoc), responsável, em grande parte, pelos esforços que resultaram na titulação definitiva da terra. E que, no final do ano passado, ganhou um telecentro comunitário.
Plantio atende famílias e o
recém-criado restaurante
comunitário Com o telecentro, recursos como blog, Orkut, MSN começaram a fazer parte do cotidiano bucólico. Até então, o uso do computador era restrito à sede da associação, diz a garota, liberado no horário do almoço e nos finais do expediente, desde que acompanhado por um monitor. Para alívio de ambas as partes, o telecentro agora oferece dez computadores conectados à rede. Funciona dentro da escola, mantido com recursos da própria comunidade e conexão Gesac (programa do Ministério das Comunicações). Algumas máquinas foram doadas pelo Banco do Brasil e outras pela Associação Cairuçu, uma organização não-governamental, fundada em 2002, com o objetivo de promover a sustentabilidade sócio-ambiental da Área de Proteção Ambiental do Cairuçu, da qual faz parte o quilombo do Campinho.
Além do trabalho na associação, Aline participa das oficinas culturais que acontecem diariamente no galpão cultural — um amplo salão de estuque, localizado ao lado da sede da associação de moradores. “Minha preferida é a de jongo, mas tem também capoeira, percussão e artesanato”. Enquanto mostra o local, a garota anda com desenvoltura. E é difícil acompanhar seu ritmo pelo caminho, um percurso de duas horas, com direito a morros, lagos e outros trechos complicados.
Restaurante comunitário
Balaios, cestos e peneiras
fazem sucesso entre turistas “Adoro morar aqui”, diz, ao mesmo tempo em que aponta os vários projetos em andamento, como o do restaurante comunitário inaugurado em dezembro. O empreendimento faz parte do Projeto Desenvolvimento Sustentável em Comunidades Remanescentes de Quilombo, uma parceria entre o Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Petrobras, Fundação Universidade de Brasília, Secretaria Especial de Promoção da Igualdade Racial, Sesi e Eletro Nuclear. Segundo a Amoc, que vai administrar o negócio, 25 mulheres estarão encarregadas de produzir as comidas típicas que serão servidas aos turistas, feitas com alimento adquirido de produtores locais. A expectativa é de que, indiretamente, sejam beneficiadas 450 pessoas.
Aline vê, nas iniciativas, oportunidades de desenvolvimento e de geração de emprego. “É triste sair da comunidade para trabalhar fora.” O antigo emprego de cozinheira, na praia de Trindade, não deixou saudades. “Lá, não sobrava tempo nem para ver a família”. Hoje, a guia turística ganha menos, mas não se importa, o mais importante, para ela, é a mudança de percepção quanto à própria realidade. “Acredito que a vida aqui pode melhorar muito”. No centro das transformações, a internet ocupa papel fundamental. “Antigamente, para falar com outros quilombos, só por telefone ou pessoalmente”. Aline assegura que, com o acesso à rede, a articulação dos vários projetos ficou bem mais simples. A coordenadora pedagógica da associação, Laura dos Santos, concorda. “Aqui dos cafundós do Rio podemos falar com qualquer outro lugar”. A demanda é cada vez maior, prossegue, difícil é atender a todos com poucos computadores. “Quando a gente larga, eles avançam”, diz.
O avanço tecnológico encontrado no quilombo carioca é a ressonância de uma iniciativa que começou pequena, na cidade de Campinas (SP), mas que cresceu e se espalha por todo país. A Rede Mocambos nasceu com o propósito de informatizar e conectar quilombos em todo o país. O pai da idéia foi Antonio Carlos dos Santos Silva, ou o TC – como é mais conhecido – um dos fundadores da Casa de Cultura Tainã, em Campinas, onde o projeto teve início, há cinco anos.
A idéia tem avançado, graças a convênios e parcerias com os ministérios da Cultura e das Comunicações (Gesac), Banco do Brasil, entre outros. Com uma kombi, seus integrantes atendem uma rede que hoje abarca cerca de 17 quilombos e 17 associações culturais de afrodescendentes. O objetivo, agora, é ir além da inclusão digital. Ou seja, segundo TC, “discutir com o governo políticas para o desenvolvimento dessas comunidades”.
Os mocambos eram os esconderijos onde se refugiavam os escravos em busca de liberdade. Depois, passou a denominar, assim como os quilombos, os aglomerados de casas que iam se espalhando. No caso da rede, fazer parte dela representa ter acesso a um refúgio mais amplo, o mundo digital. TC conhece bem a realidade dos quilombos, porque viveu entre eles, em Uberaba (MG). E destaca, nessas comunidades, a importância das experiências colaborativas. “É a cultura do compartilhar, todo mundo cuida de todo mundo”. Cita, por exemplo, o roçado coletivo. “Cada um tinha a sua roça, mas todos ajudavam e depois dividiam a produção”.
Das lições sobre colaboração mútua, brotou a idéia de reconectar as comunidades que guardam esses valores. Assim começou a rede Mocambos. “Muitos desses grupos remanescentes se encontram em situação de risco”, adverte. A expansão das áreas agrícolas, o crescimento da plantação de eucalipto, cana, soja, o avanço da extração de madeira e das atividades de mineração são alguns obstáculos que ainda precisam enfrentar.
Macaia Mulungo
Além do canal digital, a rede Mocambos colocou em circulação, em novembro passado, a primeira edição impressa do jornal “Macaia Mulungo” (Macaia era o nome africano dado aos terreiros onde se tocava tambor, e mulungo, a árvore que protegia o lugar). O pequeno tablóide é mais um meio de produzir conteúdo próprio a partir das ferramentas tecnológicas que estão sendo oferecidas. Todo o conteúdo foi feito coletivamente dentro de uma oficina em que foram recuperadas dezenas de computadores e em que aprendeu-se a montar transmissores de rádio. A rádio Mocambo já está a caminho.
www.taina.org.br
Dados da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir) e do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), responsável pela titulação das terras ocupadas pelos Remanescentes de Comunidades dos Quilombos, apontam 743 comunidades quilombolas oficialmente registradas pela Fundação Palmares, do MinC, e 252 processos de regularização fundiária em curso, envolvendo pelo menos 329 comunidades, em 21 estados. A Seppir estima pelo menos 3 mil dessas comunidades em todo território nacional. As informações são do site Observatório Quilombola.
www.koinonia.org.br
www.pr5.ufrj.br/cd_ibero/biblioteca_pdf/cultura/14_etno_extensao.pdf — “O Quilombo Campinho da Independência em Paraty-RJ: um caso de etno-extensão”, trabalho de Renata Alves dos Santos Aguilar, Cátia da Conceição Bento, Maria Joana Lima Valente do Valle, Everaldo Nunes Junior e Aloísio Jorge de Jesus Monteiro, da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro
DIVERSAS REPORTAGENS SOBRE QUILOMBOS DA RBS TV
FONTE:http://mediacenter.clicrbs.com.br/templates/player.aspx?contentID=79817&uf=1&channel=40 ACESSADO EM 11/10/2009
Comunidade Chácara das Rosas, em Canoas, enfrenta o preconceito
FONTE: http://mediacenter.clicrbs.com.br/templates/player.aspx?contentID=79995&uf=1&channel=40 Acessado em 11/10/2009
Prefeito de Canoas fala sobre melhorias na Chácara das Pedras
Fonte:http://mediacenter.clicrbs.com.br/templates/player.aspx?contentID=80186&uf=1&channel=40 Acessado em 11/10/2009
